quarta-feira, 3 de março de 2010

Bolão na Mega-Sena

Deram um bolão (que trocadilho infame) nos manés que ganharam a Mega-Sena de 21 de fevereiro passado.

Sempre me intrigou essas supostas vítimas.
Os estelionatários sempre se utilizam da ambição e da voracidade de suas vitimas.
Alerto meus clientes e amigos para que nunca levem a sério mensagens via e-mail e os famosos "clique aqui pra isso ou aquilo".
São poucos os hackers com alto grau de conhecimento técnico. A maioria são meros estelionatários digitais.

Ambos os grupos não fazem vítimas, apenas 'pescam' pessoas cuja vontade de ganhar qualquer coisa a qualquer custo torna nebuloso o seu discernimento sobre potenciais golpes.

O programa Fantástico da Rede Globo (ok, confessei que assisto de vez em quando essa tragédia) fez uma pesquisa em conjunto com o instituto Akatu, em vários estados brasileiros, com um suposto empreendimento imobiliário de alto padrão em locais inusitados (no sentido da legalidade e da ética).
Resumindo, era montado um quiosque com folders, maquetes e vendedores no maior estilo "lançamento pra novo rico", mas o detalhe era que a construção seria, em um dos casos, no meio da orla do Guarujá, na areia mesmo, fechando a praia e tudo mais.

Além de algo ilegal, o que acho o aspecto menos importante, é algo antiético e antiecológico. Uma nojeira mesmo, simplificando.

Em todos os estados, o resultado médio da pesquisa mostrou que entre 60% e 70% dos pesquisados aprovaram o empreendimento e, dos que não o aprovaram, a maioria era de pessoas que alegaram não poder pagar pelo imóvel e por isso se diziam contrários.

É inacreditável.
Como essa gente se diz horrorizada com o governador José Roberto Arruda e seu bando em Brasília ou qualquer outro caso semelhante?
E o pior é que conheço uma penca de pessoas que não compreendem que nem tudo o que é legal, no sentido de lei, é ético.
E, ainda mais grave, que se não é flagrado é esperto, mas se é flagrado é um bandido.

O antropólogo Darcy Ribeiro escreve: "A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instilada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria."

Me parece que a crise ética do mundo moderno fez sobressair apenas a parte mais desprezível desse povo.



"A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista." - Darcy Ribeiro - O Povo Brasileiro