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sábado, 25 de fevereiro de 2017

A marchinha headbanger

Feriado complicado para um velho headbanger.
O tempo faz coisas estranhas... quem diria que eu viraria um clássico...

Nesses dias "complicados" me refugio nos estudos e na boa música. Quase sempre lembro do jovem Ramon.

Nas minhas épocas de empreendedor (quando eu achava que era possível casar a moralidade - e portanto o bem comum - ao empreendedorismo) eu morava no Brooklin em sampa.
Precisando de um estagiário minha heavy irmã e na época meu rockunhado me indicaram um cara diferente.

Íamos almoçar num "por kilo" numa travessa da Av Santo Amaro, onde trabalhava um moleque cabeludo que atendia e que era sobrinho da proprietária.

Nessa época já não conseguia muito bem selecionar as pessoas por sua "técnica" ou "produtividade" apenas. As pessoas para mim, antes de mais nada, eram pessoas e fatalmente fariam parte do meu cotidiano.

Depois de umas tentativas frustradas com os "convencionais" conversei com o Ramonzinho.
Brincamos por muitos anos que a entrevista se baseou em que era o elemento clássico do Deep Purple ou qual era o vocalista mais adequado pro Rainbow, e por aí vai.

Enfim, lá veio o menino cabeludo que arranhava um baixo com seus 19 anos, recém formado num curso técnico qualquer trabalhar comigo.
Acho que era muito papo e pouco trabalho.

Muito papo bom.

Viramos amigos e ele virou o mascote da turma de "velhos degenerados".
No fim do estágio ele alçou voo depois de um concurso público.
Continuamos a amizade, com noitadas de rock, biritas e umas "coisas a mais".

Conversávamos bastante e fui o alertando sobre certo deslumbre quando se ganha dois tostões a mais e quando se arregala os olhos diante de um suposto poder e "seriedade" na vida profissional.

Fui convidado pro seu casamento.
Muitos moleques em volta, parentes e eu sendo apresentado como "o sujeito que ensinou tudo o que eu sei".
Ficava feliz e envaidecido, porém já sabia que mesmo o que eu conhecia não pertencia a mim, mas aos outros que me ensinaram (anos mais tarde fui tendo a confirmação mais embasada disso - e viva Sartre!).

Após o casamento ele começou a se sobrecarregar de trabalho e "seriedades" da vida,
Muito me preocupava isso. Não era o seu perfil,e ao meu ver, o de ninguém.
Cortou o cabelo e as coisas começaram a "entrar nos eixos". Não o dele nem o da vida humana.

Ramonzinho morreu de enfarte fulminate aos 29 anos deixando um filho pequeno.

Nesses dias em que penso em música, história, princípios e moralidade lembro muito do meu estagiário, amigo e talvez um afiliado que nunca tive.

A vida acaba de maneiras abruptas. Sempre.
Como disse  Carlos Heitor Cony, "somos todos terminais desde que nascemos".
A sua existência foi abreviada, e diferente dos meus amigos tecnicistas eu creio (dadas as evidências) que não foi a "saúde ruim" apenas que o tomou das pessoas que o amavam. A sociedade perversa que busca a "ferramenta de trabalho" e consumidor ideal foram cruciais no processo.

Não deu tempo de te dizer meu jovem amigo, mas você também me ensinou coisas.
A principal foi a de que realmente eu não sirvo pra lucrar sobre ninguém, nem explorar as pessoas e muito menos as ver como algo que intrinsecamente não tem valor mais importante que as "competências técnicas".

Não preciso de crendices para saber que você está em todos que o conheceram.
Sartre (entre outros claro)  nos mostra de maneira mais bela.

Um brinde a você meu jovem amigo!






quarta-feira, 13 de julho de 2016

No dia do rock

Foi o radialista Alan Freed que cunhou o nome Rock 'n' Roll ao ouvir Chuck Berry e outros.

O blues de 12 compassos, com toques de jazz, country e soul, nos presenteou com algo eterno.

Long live Rock 'n' Roll!

Neste dia de comemoração, um capítulo que vale a pena nesta época de escassez musical, onde a mediocridade acachapante impera.



sábado, 30 de agosto de 2014

Em vinil!

A partir de 13 de outubro a banda Iron Maiden lançará em vinil 180g, através da Parlophone Records, uma nova prensagem dos clássicos da banda.


Estão inclusos na lista: Iron Maiden, Killers, The Number Of The Beast, Running Free b/w Burning Ambition, Sanctuary b/w Drifter (Live) e I’ve Got The Fire (Live), Women In Uniform b/w Invasion, Twilight Zone/Wrathchild double A side, Purgatory b/w Genghis Khan, Run To The Hills b/w Total Eclipse, The Number Of The Beast b/w Remember Tomorrow (Live), Piece Of Mind, Powerslave, Live After Death, Flight Of Icarus b/w I’ve Got The Fire, The Trooper b/w Cross-Eyed Mary, 2 Minutes To Midnight b/w Rainbow’s Gold, Aces High b/w King Of Twilight, Running Free (Live) b/w Sanctuary (Live), Run To The Hills (Live) b/w Phantom Of The Opera (Live), Somewhere In Time, Seventh Son Of A Seventh Son, Wasted Years b/w Reach Out, Stranger In A Strange Land b/w That Girl, Can I Play With Madness b/w Black Bart Blues, The Evil That Men Do b/w Prowler ‘88, The Clairvoyant b/w The Prisoner (Live), Infinite Dreams (Live) b/w Killers (Live).

Quem é clássico pode.

Já tenho a maioria dos vinis (caracas, que plural horrível!), quem sabem completar a coleção...

Up the irons!!!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Metal on the Wall Street

Estava prestes a compilar umas coisas sobre Heavy Metal, catarse e violência.
Violência ritualizada, controlada.

Já escrevi meu desabafo e depois de ler o que vem a seguir talvez não precise mais.

Meus amigos metaleiros quarentões, cinquentões e os moleques de bom gosto, estamos no Wall Street Journal!

Leiam o bom comentário/tradução na matéria "Heavy Metal pode ser uma coisa boa pra você".

Foto/ilustração retirada do wikimetal.
Gatófilos vejam mais aqui.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A vingaça dos velhos headbangers - Lado B

Meu post anterior me fez pensar mais sobre o fato de termos (os velhos headbangers) virado um clássico.
O rock'n roll surgiu nos anos 50 como evolução (leia-se adaptação/reação a um momento histórico) do blues e foi também o nascimento de uma ruptura, onde "a música dos filhos é uma e a dos pais é outra".

A longevidade e a qualidade do Metal curiosamente trouxe o rock de volta a toda família. Como disse Alice Cooper, um dos precursores do Shock Metal, "agora eu sou um entreteinimento familiar e os avós vem com os netos nos meus shows".

Por que viramos um clássico?
Bom, não tenho a pretensão de fazer um tratado histórico-cultural acadêmico sobre o tema, mas resumir a evolução dessa música e trazer alguns elementos que a fizeram perdurar décadas e a forjar (bom termo pro assunto! rs) seu lugar na história da boa música.

Os principais pais do rock são Chuck Berry, Bo Diddley e Little Richard, tendo os expoentes brancos muito mais papel na sua divulgação/propagação do que propriamente na música (o nascimento em si, não negando contribuições musicais importantes), cito principalmente Elvis Presley, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly e Roy Orbison.

Sua evolução notadamente originada do rhythm and blues (lembrando que o termo R&B norte americano designa algo diferente do R&B britânico) a torna uma música de origem negra (usem a palavra politicamente correta que quiserem), ou seja, uma black music.
Segundo o próprio Little Richard, basicamente adicionou-se o boogie-woogie ao blues. 
Ray Manzarek (The Doors) diz: "Se não fossem os negros norte-americanos estaríamos fazendo minueto e dançando na ponta dos dedos".

A distorção nas guitarras apareceu com Jeckie Brenston and the Delta Cats, quando o produtor San Philips decidiu usar o som de um alto-falante rachado durante a gravação no amplificador da guitarra, em Memphis, Tennessee, 1951.
Em Londres na década de 60, quando altos volumes (e aí devemos citar Jim Marshall, fundador da Marshall Amplifiers), a distorção e os demais elementos do rock'n roll foram misturados e 'acelerados', assim como influências diretas do blues e do jazz foram integrados criou-se o hard rock, onde destaco The Kinks, The Who e claro, a "Santíssima Trindade do Rock": Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath.

Enquanto isso nos EUA, Jimmy Hendrix levou a guitarra a caminhos nunca trilhados e expandiu o horizonte musical desse instrumento, sendo que o mesmo foi levado a incríveis velocidades através, principalmente, de Dick Dale, da surf music.
O garage rock americano contribui com a expontaniedade e a agressividade bad boy, onde destaco Ted Nuggent, Steppenwolf, MC5 e Blue Cheer. 

Em 70, as tours, que começaram por absoluta falta de dinheiro pra gravar um disco, não aceitação das gravadoras e (in)visibilidade nas rádios, ficaram famosas com o Kiss. Porém, no fim dessa década a (porcaria da) música disco invadiu os EUA e quase arruinou com o rock de lá.

O Big Rock (definição dos próprios) do Van Halen apareceu ainda na década de 70 pra resistir ao disco no EUA.

Voltando ao outro lado do Atlântico, em 70 o R&B e o Hard Rock britânico estavam em alta e sem dúvida, a "Santíssima Trindade do Rock", em especial o Black Sabbath, "pariram" o Heavy Metal.

O Led Zeppelin era a banda de R&B mais "pesada", com a guitarra distorcida de Jimmy Page, o front man estiloso Robert Plant e seus fortes elementos de blues e folk.
O Deep Purple trouxe grande qualidade musical com os riffs lendários de Ritchie Blackmore, a bateria pesada e rápida de Ian Pace e claro, a erudita influência dos teclados de Jon Lord, associados aos grandes letristas Ian Gillan e Roger Glover.

Mas foi o Black Sabbath, com os tons jazzísticos de Geezer Buttler e  Bill Ward, o vocal perturbado de Ozzy Osbourne, as experimentações clássicas da pesada guitarra de Tonny Iommi (a clássica música "Black Sabbath" foi inspirada em Mars, de Gustav Holst), o tom sinistro e o visual sombrio, que foi o pai, ou pelo menos o padrinho do heavy metal.
O ambiente sombrio, opressor e pobre de Birmingham foi o berço e evidentemente a influência do que alguns chamam, indo além da paternidade, de a primeira banda de heavy metal do mundo.

Rainbow, ACDC, Rush, Van Halen e várias outras bandas firmariam o heavy metal como estilo musical, mas foi o Judas Priest que consolidou o que seria o heavy metal moderno, com as roupas de couro preta, o abandono definitivo do blues de 12 compassos e usando 2 guitarristas em perfeita simbiose.

Depois da onda punk no final da década de 70 atrapalhar o metal (o punk sempre foi mais um movimento social do que propriamente um estilo musical, sendo que os próprios punks assumem que os 'metaleiros' é que faziam música), uma nova geração de metaleiros estourou no mundo todo no início dos anos 80, fazendo com que o heavy metal virasse um fenômeno mundial, sendo essa onda conhecida como "New Wave of British Heavy Metal", destacando-se aí o Iron Maiden (acredito eu, a maior banda de heavy metal do mundo. up the irons!*), Saxon, Motorhead e Def Leppard.

Até hoje com alguns pequenos sustos - porcarias mesmo - como o Glam Metal (ainda nos 80) e a maior parte do Nu Metal (talvez Sepultura seja a única coisa a ser mencionada) e do Grunge, o heavy metal e suas vertentes se estabeleceram como uma forma clássica de música e até mesmo, como movimento cultural e social.

Não entendeu ainda?
Vá ouvir com paciência até aprender.

Se você perceber o virtuosismo de Niccolo Paganini em Eddie Van Halen (Van Halen) e Yngie Malmsteen por exemplo, não é mera coincidência.

Se você notar a teatralidade e o alcance vocal do Pavarotti em Rob Halford (Judas Priest), Bruce Dickinson (Iron Maiden) e Geoff Tate (ex-Queensryche) por exemplo, não é mera coincidência.

Se você achar Richard Wagner ou Gustav Holst em Black Sabbath, não é mera coincidência.

Se você viajar para a idade média com Ritchie Blackmore (Rainbow) por exemplo, não é mera coincidência.

Se você sentir Howlin' Wolf em James Hattfield (Metallica) não é mera coincidência.

Se você ouvir Robert Johnson em Led Zeppelin por exemplo, não é mera coincidência.

Se você for atingido por Buddy Rich através de Dave Lombardo (ex-Slayer) por exemplo, não é mera coincidência.

Se você tiver alguma alucinação visual com uma ópera ao ouvir Pink Floyd ou Rush por exemplo, não é mera coincidência.

Esses assuntos mereceriam livros. Muita coisa boa foi omitida.
Quis apenas desenrolar um pouco do porque fomos "acusados" de sermos velhos patéticos ouvindo música clássica.




 *up the irons é uma expressão usada pelos fãs e admiradores do Maiden. Uma espécie de grito de guerra, um trocadilho com a tradução da expressão ao pé da letra, o estilo musical e claro, o nome da banda.

sábado, 2 de março de 2013

A vingaça dos velhos headbangers

Há uns dias atrás junto com um velho amigo, relembrava nossa juventude nos anos 80, quando descobrimos o heavy metal.
Era 1983, 12 para 13 anos, quando ele chega com um EP (é um LP pequeno com menos músicas) desconcertantemente agressivo para a época, o Maden Japan do Iron Maiden.
As coisas chegavam por aqui com um ou dois anos de atraso mas fomos arrebatados pela música, estilo e claro, nessa mistura, o contestador e anárquico conteúdo.

Logo depois ele apareceu com o Piece of Mind, também do Iron Maiden, quando juntamos com o British Steel do Judas Priest de outro amigo, o Gratest Hits do Queen (ok, não é metal, mas como diz a música, "os metaleiros também amam" - e como podemos ver, tem senso de humor - além disso fazem parte da pré-história do metal) e o Crusader de Saxon meus e por fim, mas sendo só o começo, o Metal Health do Quiot Riot de um outro.

Devorávamos o que aparecia e juntávamos todas os parcos trocados para correr atrás de material novo e se possível importado (as prensagens de bolachão de rock no Brasil eram bastante precarias).
Iron Maiden, Judas Priest e Saxon foram os detonadores, e apartir daí Whitesnake, Van Halen, AC DC, Twisted Sister, Kiss e por aí vai.

Posteriormente esse caldo nos remeteu às origens e as variantes do bom rock e daí foram lotes de Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath, Pink Floyd, Rush, Who, Cream, Secos & Molhados, Jethro Tull, Mutantes, Hendrix, Plebe Rude e zilhões de outras coisas. Claro que jazz e blues mais tarde seriam inevitáveis.

Gravávamos algumas coisas em K7 e levávamos para dentro da sala de aula, mas os "anarquistas" que botavam fogo na lanchonete, roubavam pilhas nos mercados e saiam na porrada de vez em quando, no fim, respeitavam bastante os professores, não matavam os pais e nem uns aos outros.

No fim da história, ou melhor, do início pro meio dela, olhando nossos amigos, fomos nós que os professores e diretores mais gostavam e fomos os que, de um jeito ou de outro, criamos algo diferente do padrão pra vida.

O buraco musical dos anos 90 e início dos anos 2000 pareceu enterrar o heavy metal (glam metal e nu metal foram vertentes bastante amaldiçoadas por nós), mas os quarentões não se rendem tão facilmente e influenciando uma nova geração que não sucumbiu as mediocridades das divas e dos astros mauricinhos, resgataram seus heróis e junto com eles uma nova leva de grupos promissores aparecem nos últimos anos.

Como lembra o antropólogo Sam Dunn, a cultura heavy metal continua sendo a cultura dos excluídos.

Outro velho amigo brincou dizendo que somos velhos patéticos ouvindo música clássica.
De fato, nossos ídolos passaram para o "clássico", mas como não deixar de comparar duas ou três gerações que contestavam uma série de coisas para outras cujo máximo da rebeldia é comprar ipod's, usar anel de compromisso e fazer promessas de casamentos puros (sim, virgens!)?!

Fico feliz em ver que nossas escolhas foram boas o bastante para sobreviver à história. Fico feliz em ter sido um adolescente que descobriu isso bem naquela época.
O nascimento do heavy metal nos subúrbios industriais londrinos e sua adoção quase instantânea na região do ABC paulista, na época, um subúrbio metalúrgico de São Paulo.

É divertido ver em que irmandade se tornou o heavy metal e suas vertentes.
É gostoso ver os sessentões ou setentões cuspindo sangue e voando por cima da platéia ainda ou simplesmente vestindo um jeans e uma camiseta, fazerem uma música consistente e de qualidade, enchendo locais com gente de todas as idades.

Por outro, foi deprimente ver o que algumas bandas se tornaram ao entrar pro mundo dos contratos milionários. É difícil ver alguma dessas bandas manter o espírito do rock e principalmente do heavy.
Dee Snider do Twisted Sister reconheceu que é complicado fazer um som agressivo e de protesto quando se mora numa mansão, o que nos remete a Lacan que diz que a angústia é a única fonte de criação.

Seja como for, parodiando o pequeno-grande Ronnie James Dio (aliás o inventor do tal símbolo "manual" do heavy metal), "long live rock'n roll"!

E que meus amigos não fiquem surdos nem com cirrose para podermos celebrar etilicamente, mesmo que em cadeiras de rodas e com fraldões geriátricos, o bom e velho metal.

Up the irons!!








terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Pra te salvar do carnaval

Post do blog do Régis Tadeu: A volta triunfal do Van Halen em ótimo disco
Título e link: A Different Kind of Truth

01. Tattoo
02. She’s The Woman
03. You And Your Blues
04. China Town
05. Blood And Fire
06. Bullethead
07. As Is
08. Honeybabysweetiedoll
09. The Trouble With Never
10. Outta Space
11. Stay Frosty
12. Big River
13. Beats Workin’
14. The Downtown Sessions (Acoustic Set-Panama-You And Your Blues-Beautiful Girls)



Para os 'novinhos', pra se ter uma idéia do tipo de rock'n roll feito pelo Van Halen (o original, antes do Sammy Hagar), uma das cláusulas nos contractos dos "Van Halen" era a exigência de uma taça de M&M's, mas sem os marrons. Se encontrassem um M&M  marrom o contracto seria anulado.

Uma brincadeira numa época em que se podia não ser politicamente correto e não ser processado pelo Spike Lee. Hoje não falaríamos "M&M's marrons" mas sim "chocolates com diferentes origens étnicas".


Mas era isso aí, um heavy sem pretensões, divertido, leve (apesar de ser heavy! rs) e inovador. David Lee Roth é um verdadeiro vocal do Glan Rock (um precursor do metrosexual no heavy metal - rs), acompanha de um baterista de mão cheia (que queria ser guitarrista) Alex Van Halen e um guitarrista ímpar, da lista dos top ten dos melhores de todos os tempos, Eddie Van Halen (que queria ser baterista). Deixo de comentar baixista Michael Antonny.

Uma curiosidade: o "padrinho" deles foi Gene Simons do Kiss.

Quem quiser dar uma olhada num post magnífico deles no Brasil em 1983 clique aqui!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pesado como a vida

Adoro música, a boa música.
Ok, isso é suspeito.

Mais suspeito ainda se você é um daqueles que diz que "gosto não se discute" (blergh!).
Além de ser lugar comum, não significa que a qualidade da música não possa ser discutida.

Postei sobre blues aqui e agora vou dar uma dica sobre o rock, em especial o heavy metal.
Lá pelos anos 80 fui contaminado por esse estilo e toda a sua forma de cultura.
Iron Maiden e Judas Priest no 'talo', calças jeans rasgadas (veja só, alguns acham novidade isso), jaquetas jeans com patches (pedaços de panos com logo das bandas) ou de couro, e  claro, cabelos compridos (que raiva! o meu enrolava! rs).
Alguns mais "figuras" complementavam com os braceletes de tachas, e outros mais malucos ainda (eu), tinham um gerador de alta tensão feito em casa ligado a essas tachas.



O heavy metal surgiu na Grã-Bretanha, em especial nos subúrbios de Londres na década de 70, como uma reação a falta de perspectiva gerada pelo trabalho duro nas emergentes indústrias da região e claro, como mais um contraponto ao modelo judaico-cristão ocidental, não por acaso sua estigmatização com o demônio (o uso do "tritom do diabo" também gerou muita bobagem na imprensa e grupo conservadores) e o mórbido (trabalhar é sempre mórbido).

Seus padrinhos são a chamada 'santíssima trindade do rock': Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath.
Mas não se pode esquecer de Blue Cheer, Cream e Hendrix.

Também não por acaso o metal estourou no Brasil na década de 80, últimos anos da ditadura, e teve como marco o Rock'n Rio 1 em 1985.
A região do ABC paulista (uma região até então metalúrgica com alguma similaridade das opressivas frentes de trabalho dos subúrbios londrinos) foi um dos corações do movimento. A primeira rádio rock, as primeiras lojas especializadas em metal, as primeiras feiras e claro, as muitas confusões e atritos com o movimento punk.

Como dizíamos, o heavy metal é eterno. E uma vez "exposto aos seus efeitos não há mais cura". 
Diferente de "tribos" onde a música não é o principal, ou talvez não é nada. Imagina se alguma dessas ladies do pop fossem gordas e feias, daria certo?

Lady Gaga ou Ivete Sangalo sem apelo sexual vc lembraria? Aretha Franklin precisa disso?
Restart, Fresno ou Justin Biba sem o visual 'bonitinho' vc lembraria? Jimmi Hendrix precisa disso?

A tribo do Metal é mais mundial do que nunca e mais heterogênea do que se imagina.




Alguém ouviu algum comentário no meio sobre a opção de Rob Halford (vocalista do Judas Priest que há anos assumiu sua homossexualidade)? Não. Ele sempre é citado como um dos maiores vocalistas de metal e nada mais (seu visual diga-se de passagem, continha muitos elementos de redutos GLS).

Parágrafo TDAH fora do contexto: Na minha opinião delegacias, estatutos, leis e cotas que "separam" é estímulo ao racismo.

 Heavy Metal é identificação. A casa dos excluídos e oprimidos. A companhia dos solitários. A energia dos angustiados.

Cabelos compridos ancestrais e tatuagens tribais. Origens musicais que vão dos acordes simples do blues até a virtuosidade da música erudita (só pra exemplificar posso citar a técnica de arpejo de Eddie Van Halen (guitarrista do Van Halen), a técnica de tenor de Bruce Dickinson (vocalista do Iron), a influência clássica do tecladista Jon Lord (Deep Purple), o braço pesado de John Bohan (baterista do Led Zeppelin que misturou bem o jazz e percursão com velocidade e força insana) e o visual kabuki do Kiss.

E convenhamos, viajando um pouco mais no tempo, Wagner fazia um heavy muito conscistente!




Já fui há vários shows e é fantástico, mas confesso que me cansei de ter que bater em moleque suado... rs

De qualquer modo é bom ver os cinquentões (daí pra cima! rs) tocando pros quarentões que muitas vezes levam seus filhos junto.

O documentário 'Global Metal' (http://www.fileserve.com/file/3PaRFxF) é uma viagem interessantíssima sobre a globalização do metal. Dirigido e criado por Sam Dunn metaleiro e antropólogo, começa sua jornada pelo Brasil (olha a camiseta do Sepultura dele!).

E o 'Heavy Metal - Louder than Life' um documentário mais histórico e técnico sobre o gênero.
Parte 1: http://www.megaupload.com/?d=G3P4N3AH
Parte 2: http://www.megaupload.com/?d=5C0BBM3G
Parte 3: http://www.megaupload.com/?d=ZMV7H8FQ

Chacoalhando sua cabeça ou não, divirta-se!

PS: não fui eu que fiz os uploads dos arquivos e acho a pirataria uma prática de ética discutível, mas como disse Bruce Dickinson (vocalista do Iron) compartilhe e distribua nossas músicas (em países como Irã não há outro meio) mas compre aquilo que você se identificar mais.


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Breaking the law*


Há uns dias peguei um pote de sobra de massa de bolo batido e tasquei o dedo pra lamber os restos.
Delícia!
Relíquias de uma época em que isso era divertido, gostoso e não era assombrado pelos fantasmas das 'bactérias' e 'germes'.

Eu e meus amigos jogávamos bolinha de gude no chão de barro e tomávamos água da torneira quando dava sede. Sem copo, na mão mesmo. Estamos todos aqui, e diga-se de passagem, mamãe Coisa nunca pensou na criatura de quase dois metros que as "bactérias" iriam ajudar a criar.

Fim de semana era a loucura de descer a serra de bicicleta e na volta tomar uma "tubaína" com as moedas do bolso. Ninguém foi sequestrado, estuprado ou morto... outras épocas alguns irão dizer... sim, época com menos paranóia, com moleques que ouviam 'não' mas sabiam se defender.

Quando queríamos nos aventurar mais longe pegávamos o "busão" (saíamos da terra do presidente) pra jogar fliperama na Xavier de Toledo, perto do Mappin. Vários e vários minutos namorando as máquinas, jogávamos uma ou duas fichas (a única quantidade que podíamos comprar) e íamos embora realizados.
Na época era proíbido para menores, não sei se ainda é assim.
Mesmo nesse "antro da perdição" ninguém virou um junkie. Ou pelo menos, quase nenhum. :o)

Estávamos indo da sétima para a oitava série, já eramos "quase adultos". Nos dávamos o direito de levar aquele gravador cassete com trinta pilhas pra "rolar" o British Steel do Judas Priest* no meio da aula. Os "metaleiros da pesada" acabavam cedendo às professoras, coisa de respeito, certa disciplina.

Mas estávamos bem, afinal, ouvíamos clássicos e não Justin Bibas (que não vai virar clássico nem para a mãe dele) da vida - "coisas" como forró universitário e sertanejoromanticobrega eu nem vou citar - e muito menos, pois nem existia, deixávamos celulares ligados.

Já nessa época meus amigos sempre diziam que eu tinha algumas moedas a mais por causa dos bicos. Eu era o mais pobre da turma mas desde os 13 anos já "consertava uns toca-fitas" pra descolar um troco.
E depois gastava tudo no Jumbo Eletro ou no Mappin com uns LP's ou na Santa Efigênia (um dia ela não foi uma sucursal de Cuidad del este) com 'tranqueiras de eletrônico'.

Como bom hiperativo, não só fazia as aulas de educação física com prazer, mas completava todos os outros dias da semana com treinos de outros esportes. Um bodybuilder começa cedo! :o)

Olhando meus amigos quarentões hoje, vejo que não mudamos nada.
Cabelos "prateando", a maioria com suas "saliências abdominais", mas no fundo, todos iguais.
Um "revestimento de homem de família" foi instalado na maioria, um verniz que acharam necessário passar para atender aos anseios da sociedade.

Numa inversão de valores bastante sintomática, algumas "patroas" deles dizem que "fazem amor" e "amam dinheiro".

Informados da minha mudança, que há tempos ensaiava, me indagaram "horrorizados" sobre o que eu faria no litoral. Em termos de trabalho, uma atividade abominável que todos foram catequizados para "gostar", eu disse: "Nada como sempre. Ou no máximo, o mínimo."

Presenciei reações bastante engraçadas e adversas.
Como em "Revolutionary Road", alguns se sentiram traídos, outros ofendidos, alguns surpresos. 
Apesar de nunca ter estado propriamente neste esquema, a grande expressão de olhos arregalados era: como eu deixaria para trás as 'maravilhas' da metrópole, das corporações, da competição e, claro, dos hospitais?
No fundo, tudo o que eles sabem que não tem sentido.

Projetavam o medo deles como para um navegador do século XIV que iria até o "fim do mar"  numa Terra, claro, plana.

Lembrei a eles que "Vida Besta" do Premê ("...pensando no futuro comprei um terreninho no cemitério...") também passou pela nossa época e "Ouro de Tolo" do Raul também.

Sudosismo? Imaturidade? Complexo de Peter Pan?
Não, apenas a realidade de que são as "idiotices" que sempre nos deram boas sensações.