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sábado, 23 de abril de 2011

Os caras do sistema... a revanche!

Continuando com a idéia que parece ter agitado os colegas, traduzimos (esposinha english teacher com minha consultoria) mais um texto de Jack Allen (um ex-cara de sistemas) norte americano.

Antes de mais nada devo esclarecer alguns fatos que alguns "moleques" desmiolados colocaram nos comentários.

1º) Amar tecnologia é uma idiotice sem tamanho. Pessoas normais amam pessoas e olha lá. Pros primeiros eu sugiro arrumar uma mulher... ou um homem mesmo. Sai do armário pivete!

2º) Se frustrar com a carreira faz parte da constante g da vida. Nascemos para nos frustrar e saber lidar com isso. Se você não é assim ou é de Aldebaram ou é retardado.

3º) Gostar do que faz não tem absolutamente nada a ver com trabalhar. Comecei a programar em assembler no início da década de 80 num ZX81 feito em casa e adoro! Sem prazo, sem objetivos fixos, com criatividade, refazendo o que me desse na telha e com a "cara" que eu achasse conveniente. Se alguém te paga pra fazer algo é do jeito dele. Se trabalho fosse bom não te pagavam por isso.

4º) Pra mudar de carreira (assim como qualquer outra coisa na vida) não é preciso que ela "não tenha dado certo" (principalmente se você for imbecil a ponto de só enxergar o lucro), mas sim que você tenha culhão e saiba que a vida é uma só.

5º) "Vai ser pedreiro ou faxineiro!". Esse é mais um comentário estúpido e preconceituoso. Achar que a TI é uma profissão de "sangue azul" é um dos passos para uma vida besta. Ah! Sim, construção civíl é uma carreira comum entre os "ex-TI".

Feitas as considerações, enjoy!


10 carreiras alternativas para quem está esgotado de trabalhar com TI - Por Jack Wallen

Recentemente escrevi um artigo que causou um pouco de agitação. Esse artigo, 10 razões para parar de trabalhar com TI, trouxe à minha caixa de entrada uma enxurrada de e-mails concordando com as minhas razões e/ou pedindo conselhos sobre o que fazer. Depois de pensar um pouco, decidi que iria ser apunhalado ao escrever a continuação do artigo para tentar resolver a questão: "O que devo fazer então?" Aqui estão algumas possíveis carreiras alternativas para administradores e consultores que desejam sair da área de TI.
Algumas dessas ideias podem fazer sentido, enquanto outras podem fazê-lo dizer: "Quê?" De qualquer forma, olhe para essas ideias como sugestões que possam estar relacionadas ao seu ramo atual — você pode ou não já ter pensado a respeito. A relação com a TI, em alguns casos, poderá ser uma pequena extensão da mesma, porém, em outros, será bastante óbvia.

1: Conserto de Automóveis

Isto pode soar um pouco louco, mas os veículos modernos cada vez mais dependem de computadores. Na verdade, sem o computador em seu centro, o veículo moderno não seria capaz de realizar metade do que faz. Desde o controle de emissões à potência híbrida e ao controle de freio, os automóveis dependem de computadores. Esses computadores não são nada mais do que sistemas embutidos que dependem de outro computador para solucionar problemas, diagnosticá-los e remediá-los. E, já que a maioria dos administradores e consultores de TI adora a emoção de consertar coisas, tornar-se um técnico de automóveis faz todo o sentido. Uma vez garantido, você vai precisar da formação adequada para dar esse salto.

2: Dar aulas

O sistema educacional não tem número suficiente de professores dispostos a se esforçar para ajudar os futuros profissionais de TI a entender a carreira em que estão prestes a embarcar. Isso significa que você deve ingressar na área de educação de modo que possa colocar nas cabeças dos seus alunos que eles irão se frustrar incomensuravelmente durante sua carreira como consultor ou administrador? Não. Isso não significa, porém, que você pode prepará-los para a estrada desafiadora que terão pela frente. E muitos de vocês certamente irão entender quanta diferença isso teria feito em suas vidas se alguém os tivesse ajudado a se preparar para os desafios que têm enfrentado.

3: Trabalhar para uma empresa menor

Caso não esteja disposto a deixar completamente a área de TI, você poderá sair da posição nº 500 do ranking da Fortune e unir-se a uma empresa muito menor. Ter uma rede muito menor com a qual lidar, poucos computadores e usuários que não têm aquela conhecida mesma atitude para com você, irá remover um mundo de sofrimento dos seus ombros. Você até mesmo poderá entrar no mundo-sem-fins-lucrativos e realmente sentir-se querido e amado. Embora o campo SFL (NT: no Brasil são as ONG's) tenha sua própria série de dores de cabeça, ele quase não é tão intenso quanto poderia ser nos escalões superiores do capitalismo.

4: Arquitetura

Esta é outra carreira que exige mais preparo. No entanto, você gosta de números. Você gosta da ordem e da concepção do mundo ao seu redor. E você poderá aprender CAD mais rapidamente do que aprendeu sub-rede. Arquitetura é um daqueles domínios em que o céu poderia ser literalmente o limite. Você poderá passar algum tempo ao ar livre, estaria usando os números que tanto ama e teria um pouco de controle sobre seu próprio destino (talvez trabalhando por conta própria). Além disso, você não teria que lidar com redes que são derrubadas, falhas, usuários finais e programadores preguiçosos.

5: Programação

Você gastou anos lidando com bugs, bug squashing, e software em geral, então por que se juntar aos times de desenvolvedores e começar a programar para si próprio? A maioria dos programadores que conheço é boa, embora seja gente peculiar. Alguns deles vivem sós, trabalham longas horas e dedicam-se ao que fazem. Qual a maior diferença entre programadores e administradores/consultores? O estresse e as dores de cabeça dos programadores são específicos em sua natureza, e tendem a envolver apenas um ou dois grandes problemas (o código não irá ser compilado, os recursos precisam ser adicionados, etc.). Não vou enganá-lo ao fazê-lo pensar programação será uma rota mais fácil e menos estressante do que consultoria ou administração. Mas você não terá que lidar com a avalanche de problemas provenientes de quase todos os cantos de cada empresa que você entrar. 



6: Escrever

Uma das maiores ruínas no mundo de software e de hardware de computador é sua documentação. Como o mercado de software e hardware está em constante evolução, no minuto em que você acabar de ler um livro ou manual sobre o assunto, ele estará desatualizado. Isso significa que os manuais devem ser sempre atualizados, renovados, modificados. Tome essas habilidades como suas e construir uma marca para si mesmo. Escreva o manual para um software, hardware ou protocolo. Ou escreva um blog. Há milhões e milhões de usuários de computador lá fora, e a maioria deles não tem ideia do que estão fazendo. O mundo precisa de bons escritores de manuais de informática e de como fazê-lo (passo-a-passo), porque sabemos que os fabricantes não estão criando esses documentos.

7: Gerenciamento

Não que você nunca me veja trabalhando ao lado do gerenciamento da moeda, mas este campo é uma boa opção para muitos administradores e consultores. Isso é especialmente verdadeiro para consultores que tiveram que comandar sozinhos seu pequeno negócio e manter a bola rolando. Esses tipos possuem habilidades de marketing, gestão e comunicação necessárias para a administração. Mas entenda o seguinte: você estará trocando uma série de dores de cabeça por outra.

8: Pesquisa e desenvolvimento

Empresas prosperam na área de pesquisa, o que inclui empresas de tecnologia. O que os departamentos de P&D não precisam é de pessoas que não têm ideia do que estão falando. Como administrador ou consultor, você tem estado fora das trincheiras. Você sabe como as coisas funcionam versus como deveriam funcionar. Está plenamente consciente das necessidades do mundo real versus as necessidades criadas pela empresa. Uma voz como a sua poderá ser de um valor incrível para uma empresa criar a próxima grande sacada TI. É claro que P&D tende a viver apenas em grandes empresas, de forma que você terá que trilhar seu caminho entre os montes de currículos já acumulados nas mesas do RH. Descubra-o, e você poderá encontrar a combinação perfeita.

9: Cosmetologia

Eu sei, eu sei. Esta ideia pode parecer louca por fora, mas dê a ela uma chance. Primeiro, há uma matemática elegante na arte de design de cabelos. Estive durante um breve período na área e gostei muito. Você não somente estará lidando com pessoas reais com problemas reais (algumas questões um pouco maiores do que outras), como também verá resultados imediatos ao terminar. Não há urubus sentados à sua volta esperando para puxar seu tapete (inevitável no ramo de TI e de consultoria), não há que lidar com restrições orçamentárias ou falhas de segurança, não há horas horríveis... e nenhuma nuvem!

10: Agricultura

Não pude resistir. Com base na quantidade de leitores que realmente queriam “voltar às suas raízes” e serem agricultores, essa parecia ser a maneira perfeita de terminar esta parte. Agricultura pode muito bem ser uma das únicas profissões mais gratificantes na história das profissões. Sim, é um trabalho duro; sim, ganha-se pouco. Mas, cara, é uma boa maneira de recuperar-se. Cavando na sujeira, criando as coisas reais que sustentam a vida... o que mais você poderia pedir? Caso você escolha seguir essa rota, recomendo altamente que, em primeiro luar, faça um bom pé-de-meia, porque você não vai ficar rico com a gordura da terra. Sua alma poderá, mas... sua conta bancária? Nem tanto.

Fazendo uma pausa

Naturalmente, essas ideias são todas subjetivas, porém todos tem uma habilidade que possa ser desenvolvida fora da área de TI. Mesmo que não seja a habilidade mais comercializável, rentável ou gerenciável conhecida pelo homem, você terá algo para que possa voltar-se quando TI ou consultoria perder seu brilho. E, quem sabe, talvez uma ruptura com a área seja tudo o que você precisa. Tente ser um agricultor por alguns anos e então, caso precise, volte para a área de TI. Não se preocupe — trabalhos de administração e consultoria ainda estarão aqui. Você provavelmente terá que jogar um intenso jogo de pega-pega, mas voltará para a corrida mais rápido do que imagina.


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um ofício na informática lascada

Recentemente me encontrei com um jovem amigo - nunca pensei que alguém nascido no fim da década de 80 falasse - que me perguntou intrigado e espantado se de fato eu largaria a informática.
Seu espanto para mim não é novidade.
Até os desconhecidos ficam desconcertados com alguém que não quer mais trilhar a rota da "área nobre do mundo".

Mais espantados ainda ficam quando sabem que eu recebo bem pelo pouco que faço e "manjo pra cacete" - opinião de terceiros, não a minha.

Qualquer um que gosta de criar, divagar e ter um trabalho construtivo muito mais do que lucrativo vai entender.

Desde o início do século (fica bem dramático não?!), desenvolver software não tem a mesma graça e virou linha de produção.

Meu primeiro computador (com 11 anos), foi montado (montado mesmo! soldando componentes, construindo gabinete e adaptando a TV P&B da mãe) a partir de um kit da revista Nova Eletrônica (NE nº  56 de 1981 que ainda tenho!).


Tinha os íncriveis 8Kbytes de memória e um super gravador cassete pra armazenar os programas, sem falar nos excelentes 64 x 44 pontos de modo gráfico!




Software nunca existiu sozinho, era coisa de "eletrônico maluco", e sinceramente, foi graças a essa mediocridade maníaca da especialização é que virou uma "carreira".

Os bons desenvolvedores eram bem malucos, meio hippies e nada tinham de nerds ou geeks.
Nerds são os novos CDF's, e de inteligência aí não existe nada, exceto o bom desempenho burocrático acadêmico.
Geeks são apenas mauricinhos consumistas.

Para se ter uma idéia, um dos editores da NE foi o grande Cláudio César Dias Baptista, um dos criadores dos Mutantes, aliás, foi dele o fantástico "Curso de Áudio" publicado na mesma revista.

Criar qualquer coisa complexa em assembler era uma tarefa bem doida e muito divertida.
Cada um fazia de um jeito e depois confrontavam-se as soluções pra ver de que maneira mais criativa alguém havia chegado lá.

Jogos com o Z80 era um desafio (citei o "Combate Aéreo" num post antigo)!
Fazer as "fantásticas" naves (de quadradinhos) dispararem ("-") contra mísseis ("A") ou antingir os possos de petróleo ("$") no solo com as bombas ("*") era uma viagem!


O Basic veio pra dar uma ajuda.
Como qualquer outra linguagem de alto nível facilitava algumas partes, mas criar algo era sempre lúdico e desafiador.

Depois vinha a parte da eletrônica.
Adaptar um circuito qualquer para acender uma lâmpada ou programar a batedeira da mãe pra ligar e desligar num determinado horário.

PLC, iHouse, casa inteligente...você acha isso novidade?! Bullshit!

E por favor, não me venha dizer que aquele seu filho, primo ou seja lá o que for "entende tudo disso" porque baixa e instala/desinstala isso ou aquilo ou troca as "pRaca"...  qualquer símio bem treinado faz essas coisas.

Mas enfim, a produtividade e a lucratividade atropelaram a criação e a diversão.

Agora eu quero outro ofício.




quarta-feira, 30 de junho de 2010

Muderrrnidade

Desenvolvo software há uns anos. Muitos pra falar a verdade.

Ainda me surpreendo com nível intelectual da macacada.
Apesar de atualmente a utilização de um computador ser considerada parte da alfabetização básica, ninguém é obrigado a saber utilizá-lo. Ainda.

Mas se você recebesse uma cadeira preta onde numa parte estivesse escrito em letras vermelhas garrafais "coloque a bunda aqui", você ligaria para o suporte do fabricante para saber onde por a sua digníssima área traseira?

Ao chegar em casa você liga o seu computador com um programa novo, e numa tela completamente preta aparece em letras brancas e imensas "Aperte ENTER para continuar...", então você:

a) sai correndo pelado e gritando.
b) se ajoelha e pede ajuda aos espiritos.
c) liga desesperado pro suporte perguntando o que fazer.
d) aciona o "tico e o teco" e pressiona a maldita tecla ENTER.

Ataque de pânico. Não quero saber a resposta.

Acho que vivemos numa era de ostentação da burrice.
Sacos plásticos com a inscrição de "não fechá-lo na cabeça".
Ração animal com a inscrição de "somente para uso animal".
Numa porta de elevador se lê "não entre se o elevador não estiver parado neste andar".

Daqui a pouco vão escrever "somente para uso externo" num vasilhame pet de 2 litros (ok, ok, cada um com seus fetiches) ou será sancionada uma lei que obriga que seja colocado um adesivo em todas as paredes com os dizeres "não bata sua cabeça aqui"!

Quando digo vagamente com o que trabalho, todo mundo sempre conhece ou tem um parente que sabe tudo "disso". Em "tudo disso" leia-se instalar o ruWindows e meia dúzia de programas, baixar umas porcarias e trocar umas pRacas.

Se está cheios de experts à minha volta por que então um jogo high end tem umas 100 pessoas trabalhando por um ou dois anos? Ou por que um grupo de engenheiros demora tanto para desenvolver um "simples" circuito integrado?

E o pior: por que absolutamente tudo o que é ligado na tomada, tem pilhas, faz bip ou pisca luzinhas sou eu que tenho que ser consultado???

Humpf.

Desabafo pós mercado e a lei de Murphi (se há um grupo imenso de retardados no supermercado eles estarão à sua frente na fila). Cuidado, pode haver um doido atrás de você na fila!