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sábado, 11 de setembro de 2010

Foi mal

Um casal de amigos voltou da Itália e veio animado nos mostrar as fotos.
Bom, odeio viajar então sou um sujeito suspeito pra me animar com essas coisas.

Mas completamente distraído (novidade para um DDA) estava observando as tais fotos quando sabe-se lá porque associações mentais perguntei ao meu ilustre amigo: "Nossa, porque esse entulho estava aqui?".
Ele caiu no riso e me disse: "É a entrada do Coliseu".

Talvez estivesse pensando no que ele havia comentado sobre a Itália quando chegou, sobre a sujeira, desorganização e hotéis meia-boca.

Mas antes que eu seja apedrejado e queimado em praça pública pela ignorância e tudo mais, pense apenas em ver algo sem a 'obrigação' de dizer que é maravilhoso, histórico e blá, blá, blá.

Acabamos por discutir se história é algo realmente importante e se alguém que veja essas tais 'maravilhas' tenha alguma noção do porque e como aquilo foi construído e quais as razões daquilo ainda estar de pé.

Esqueça do lugar comum e da necessidade quase religiosa de dizer que acha a Capela Sistina maaaaaaaaaaaaaraaaaaaaaaaaaaaaviiiiiiiiiiiiilhosa.

Convenhamos, a Torre Eiffel é a coisa mais kitsch que existe e não tem nada a ver com o local (os parisienses eram contra a sua construção).

O nosso Cristo Redentor então, pelamordedeus! Se o pai do homenageado existisse ele teria provocado um terremoto pra derrubar essa coisa.

Perguntei a meu amigo se ele de fato gostava de viajar (que obviamente acarreta em não usar a sua cama, esperar avião como trem de subúrbio, correr o risco de perder os pertences nas bagagens, ser sempre o babaca que vai tirar fotos "segurando" a Torre de Piza e comprar um monte de porcarias que se acha na 25 de Março) ou era pelo prazer de colocar as fotos no Orkut pra dizer o 'quanto sou chique e culto'.

Sabe aquela coisa de colocar no Orkut "minhas férias na Disney"? Sim, babaquíssemo.
Tudo o que se faz é para os outros. Como sou visto pelo grupo.
Tipo, 'se sou feliz tenho que fazer barulho e anunciar isso'. Bastante suspeito.

Ter a obrigação de achar a Mona Lisa "um espetáculo" também.

Não estou fazendo apologia à ignorância, mas acho que toda forma de avaliação de algo porque é "a lei do Oeste" não é lá muito inteligente.
E tudo o que se faz para o merketing pessoal da felicidade e do sucesso é bastante mediocre.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Um ponto de partida pra subir na vida..." - Premê

Estou de mudança marcada pra zarpar dessa cidade doente.
Um grande amigo com data marcada pra voltar.

Ambos temos a mesma idéia desta metrópole (São Paulo), mas ele, ao contrário de mim, não conseguiu convencer os pais a saírem daqui e, como deseja dar suporte aos mesmos, voltará à região.

Por coincidência, significativa ou não, vi um episódio de "Anthony Bourdain Sem Reservas" em São Paulo. Pra quem não conhece, Tony Bourdain é um chef francês radicado nos EUA, cínico, cáustico e de hábitos nada saudáveis, enfim, um cara bem legal (rs).

Tony: "Quando fui chegando em São Paulo achei a cidade horrível. Depois que cheguei confirmei minha impressão. A Nova York dos trópicos. Parece que Los Angeles vomitou em Nova York."

Claro que ele se encantou com algumas coisas, como qualquer um que vá a uma grande metrópole, mas a impressão geral me pareceu bastante ruim.
Como ele gosta sempre de visitar os locais mais "nativos", Mercado Municipal e uns botecos sujos foi o básico, e restaurante "chique" foi apenas para conhecer os nossos chefs nordestinos, os quais elogiou muito e disse que sempre confirma que os grandes cozinheiros sempre vieram de locais humildes pois aprendem desde cedo a aproveitar qualquer tipo de comida.

Conheci esse meu amigo (de volta a ele — meus saltos quânticos de pensamento não são adequados a uma forma de comunicação tão linear e plana como a escrita) no IFUSP, mas estudamos juntos na ETI Lauro Gomes, no ABC paulista, local de muitas saudades, onde ficamos por três anos, das 8 às 18 horas na batalha pra conseguir os almejados 61 pontos de 100 necessários para aprovação (sim, a escola era estadual e era excelente).

Nessa época não tivemos contato, pois ele repetiu o primeiro ano. Por ironia (e vocês entenderão o porquê), por causa da Física.

PhD em Física de materiais, com parte do mestrado no Canadá e "pós-doc" no Japão, me presenteou com uma das impressões de sua tese de mestrado e uma do doutorado, o que "só" isso já justificaria minha gratidão.
Mas nos agradecimentos consta o meu nome, o que mais ainda me encheu de orgulho.

Até hoje guardo com muito carinho, felicidade e um orgulho de irmão a ambas.

O que isso tudo tem a ver com São Paulo? Bem, espero alinhavar um pouco melhor...

Se estes presentes viessem de outra pessoa, possivelmente não teriam o mesmo valor.
Meu brother sempre teve uma vida tranqüila de classe média, mas nunca deu a mínima pra esses valores. De fato e sem discursos vazios.

Estava sempre com suas camisetas de "político zoadas" e cabelo que ele mesmo corta. Nunca teve anseios de consumo e nem almejava essas medíocres carreiras corporativas.
Dentre todas as suas viagens, uma das que mais gostou foi a do Tibet, onde me disse que se sentiu muito bem acolhido e em paz, apesar da "pobreza" da região.

Casou em cerimônia shintoísta no Japão, com uma japa que importou pra cá (e ele é um paulista/'santo andréense' filho de nordestino).

Ele é uma das raras pessoas surpreendentes num mar de boçalidades desta metrópole que representa tudo o que há de mais convencional, medíocre e doentio desta nossa civilização judaico-cristã-ocidental (como diz — e não há nada de cômico nisso — o Osama do Casseta & Planeta).

Esse tipo de pessoa não merece uma vida insalubre num local fétido, feio e de más companhias.

Ficamos uns bons anos presos aqui. 
Como reféns desse medo de achar que as supostas "oportunidades" só estão aqui.
Iludidos também pelas quinquilharias que se pode obter às custas de muita vida jogada fora.

Meu brother, minha casa estará sempre de portas abertas pra você, a "nipopatroinha" e o mesticinho gaúcho (que, com certeza, será um grande sujeito! hehehe — não é só coincidência ele ter sido registrado no mesmo cartório de PoA que o Coisa).

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Inquisição

Mais uma vez fui interrogado por não ter filhos.
Sim, interrogado. É praticamente uma inquisição.

De cara isso me leva a crer que o único motivo real para essas pessoas terem filhos é "porque todo mundo tem". Por inércia mesmo.

Posso dividir meus inquisitores em dois grandes grupos: os que insistem em "por que?" e os que supostamente são mais discretos e guardam o "psicologismo de botequim" para si.

Os primeiros são cômicos!
A grande pergunta não é porque eu não quero ter filhos mas sim porque eles querem.
A alegação "gostar de criança" já cai por terra, afinal, isso não pode ser um motivo, mesmo porque, o mundo está virando um local bastante insalubre para a vida.
Também imagino que isso é um motivo bastante egoísta, assim como "alguém para te fazer companhia" ou "cuidar de você na velhice".

O segundo grupo é patético!
Típicos classe média cujas "opções" de vida nunca foram opções.
São engenheiros, advogados ou médicos (e demais profissões de "gente séria e responsável"), que casam mal, tem filhos, cuidam dos seus carrinhos polidos, vão pra resorts e fazem cruzeiros pra terceira idade (todo cruzeiro é pra terceira idade - não a física, mas a mental mesmo) e tudo mais o que uma vida boring reserva.

De fato, minha infância foi ótima (da época que viver na rua, tomar água de torneira, andar de carrinho de rolimã e chupar cana não era "crime") e adoro minha família.
Nada que o "psicologismo de botequim" possa simploriamente explicar.

Nessa terra da ditadura infantil é quase inaceitável optar por não procriar.
E não gostar de criança mais ainda.

É absolutamente ilógico, irracional mesmo, a afirmação "gostar de criança" da mesma maneira que "gostar de adulto". Existem pessoas que você tem empatia e outras não. Fim.

Mas confeço que essas coisinhas remelentas não fazem a minha cabeça mesmo.
Pra mim elas fazem parte do mesmo grupo dos cachorros: barulhentos, mal cheirosos e sempre cagando (defecando é abominável, convenhamos), mijando (urinando então, nem vou falar) ou qualquer outra coisa nojenta.

Não entendo nada do que elas dizem e muito menos o que os baba ovos querem mostrar quando ficam no "tchuqui, tchuqui".

Mas a unanimidade ainda não é total, aliás, parece estar perdendo força.
Vários casais amigos estão se curtindo sem essa necessidade bizarra.
Existem hotéis na europa que não permitem crianças.
Aliás, aqui na "terra do nunca" (não é a do Peter Pan, é a do 'nunca' diga 'não' aos retardadinhos), já existem várias pousadas que não aceitam crianças!

Por fim, todo desgraçado parace que quer te amaldiçoar também.
Deviam ver o filme Idiocracy...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Teste do Coisa

No post passado fiz umas colocações sobre ética —a idealizada pelo Coisa— e o povo brasileiro.

Como eu já fui brutal na crítica a alguns amigos e a esses ditos "classistas" de Darcy Ribeiro, vou fazer uma brincadeira aqui.

Antes de continuar insiro um adicional fora do contexto. 

Os blogueiros "pro" não toleram muita mistura de assuntos ou linguagem coloquial demais. Tudo pra eles é muito sério.
São como os adeptos do SM. Tudo é muito sério. Ops, não posso falar disso aqui porque a Convenção de Genebra proíbe. Aquela mesmo do peido no elevador.
Bom, mesmo os escrachados são sérios, já que são constante e regularmente escrachados.
Os que ficam no meio termo são os metidos a Joelmir Betting, ou seja, aqueles que estão sempre, mas SEMPRE MESMO, querendo ser suavemente irônicos e sarcásticos.
Quando você cria o blog já tem que classificá-lo de alguma maneira, e é proibido, sob pena de banimento, censura ou esquartejamento em praça pública, de mudar de tom ou assunto.

Ok, vamos ao teste:

Primeiro, seja sincero com você mesmo, o que é quase impossível para a maioria.
Segundo, não pense muito, caso contrário haverá uma manipulação inconsciente da resposta.


1) Você vai ao supermercado e o estacionamento está cheio, mas existem várias vagas de idosos e portadores de necessidades especiais, você:

a) nunca estaciona lá
b) raramente estaciona lá
c) ocasionalmente estaciona lá
d) para lá e quer que se fo%@ o mundo


2) Você vai deixar aquele anencéfalo do seu filho na escola (já que o 'príncipe' não pode ir a pé ou de ônibus) e a rua está cheia, então você:

a) para no meio da rua e quem quiser que "passe por cima"
b) dá voltas no quarteirão até achar uma vaga que não atrapalhe ninguém
c) para em fila dupla, pois afinal "são só 5 minutinhos"
d) resolve pagar uma van de transporte, pois assim quem se vira é o motorista


3) Você está assistindo ao seu telejornal favorito depois de ficar, no mínimo, 12 horas fora de casa tomando na... hum, hã... trabalhando nobremente, e vê a notícia de um caso de pedofilia numa escola. Na hora você pensa:

a) se for comprovado deviam matar esse maluco
b) legal terem colocado fogo na escola e terem apedrejado a casa do dono
c) uma coisa dessa só pode ser feita por quem não tem Deus no coração
d) é necessário punir caso comprovado, mas acho estranho um comportamento patológico como esse atualmente


4) Você é um trabalhador-padrão que vive decentemente com o seu salário, mas vê a oportunidade de fazer umas horas extras pra "faturar mais algum". Logicamente:

a) não vejo mal nenhum em me esforçar mais pra ganhar mais
b) não sei se é correto, já que não preciso de mais nada e posso estar tirando a oportunidade de outra pessoa desempregada
c) na minha posição hierárquica não tenho hora extra, mas estou no topo do organograma da empresa
d) faço porque tenho medo de ser mandado embora


5) Nosso excelentíssimo Presidente da República está discursando e você ouve, logo:

a) impávido, já começa a discursar sobre como um ignorante desqualificado chegou à presidência
b) penso que é mais um político como os outros
c) não faço ideia de quem é esse sujeito, sou milionário e não dou a mínima pra quem é presidente
d) não acredita em como a dita esquerda desse país faz um governo mais de centro que os próprios políticos de centro





















Some sua pontuação (resposta = pontos):

1) a = 0; b = 1; c = 3; d = 5
2) a = 5; b = 0; c = 3; d = 1
3) a = 3; b = 5; c = 1; d = 0
4) a = 3; b = 0; c = 5; d = 1
5) a = 3; b = 1; c = 5; d = 0

Importante! Se você pensou, em qualquer uma das perguntas, "se todo mundo faz, por quê eu não faria?", considere todas as respostas como 3 pontos!

Coloque um espelho na frente da cara e veja os resultados:

0 a 2 pontos: pessoas como você ainda me dão esperança na humanidade.
3 a 7 pontos: suas considerações morais e éticas não são lá essas coisas, mas quem sabe usando a cabeça para algo além de suporte de chapéu isso melhore.*
8 a 19 pontos: típico classe média nojento, reacionário, classista e hipócrita.*
20 ou mais: uma criatura desprezível, mas admiravelmente sincera.

* Fácil prever que nesses grupos estão os que "compram carro novo porque dá menos poblema", " trocam de televisão porque a outra é mais fina", "trocam de celular porque o outro tem bateria que dura mais" e petardos de gênero. E ainda se dizem preocupados com a latinha de alumínio na reciclagem...
   
Brincadeira, né?

Bem, a questão 4, por exemplo, foi praticamente colocada dessa maneira (mas colocava-se uma jornada de 4 horas e blá, blá, blá) por Bertrand Russell em "Elogio ao Ócio".