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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

E voa mesmo...

Há pouco tempo fui no show "20 years of Jethro Tull" no Olympia.
Sai da facu faltando em aulas pra variar (nunca estudei na minha vida, nem sei como consigo sobreviver até hoje).

Meus amigos, futuros PhDeuses em Física, me encontraram dormindo na porta.
Fui de busão cedo e pra variar, sem grana, nada pra fazer a não ser esperar dormindo na porta.

O Jethro Tull lançou esse ano um álbum em comemoração a seu 40º aniversário.



Pois é, meu há pouco tempo foi há 20 anos...
Depois de uma certa idade, provavelmente após a auto consciência se afirmar totalmente, o tempo vira algo meio esquisito.

Enfim, acho uma pena o Tull não ser popular entre os jovens de bom gosto.
Uma rock único, as vezes sofisticado e poético e às vezes irônico e agressivo.
Com a flauta de Ian Anderson e sua voz em falsete inconfundível (falando, é a voz mais grossa/grave que já ouvi na vida) é uma banda enigmática para se classificar.

Certo ano ganhou o prêmio de a melhor banda de heavy metal na MTV em cima, pasme, do Metallica.
Nem foram receber o prêmio.
Ian é genial e não daria crédito a essas baboseiras.

Tull é uma banda de hard rock-folk (!?) que trilha com competência o jazz, folk, blues e o hard rock.

Não deixem de aproveitar sua longa carreira antes que o Sr Anderson resolva apenas manter sua empresa de pesca.


sábado, 30 de agosto de 2014

Em vinil!

A partir de 13 de outubro a banda Iron Maiden lançará em vinil 180g, através da Parlophone Records, uma nova prensagem dos clássicos da banda.


Estão inclusos na lista: Iron Maiden, Killers, The Number Of The Beast, Running Free b/w Burning Ambition, Sanctuary b/w Drifter (Live) e I’ve Got The Fire (Live), Women In Uniform b/w Invasion, Twilight Zone/Wrathchild double A side, Purgatory b/w Genghis Khan, Run To The Hills b/w Total Eclipse, The Number Of The Beast b/w Remember Tomorrow (Live), Piece Of Mind, Powerslave, Live After Death, Flight Of Icarus b/w I’ve Got The Fire, The Trooper b/w Cross-Eyed Mary, 2 Minutes To Midnight b/w Rainbow’s Gold, Aces High b/w King Of Twilight, Running Free (Live) b/w Sanctuary (Live), Run To The Hills (Live) b/w Phantom Of The Opera (Live), Somewhere In Time, Seventh Son Of A Seventh Son, Wasted Years b/w Reach Out, Stranger In A Strange Land b/w That Girl, Can I Play With Madness b/w Black Bart Blues, The Evil That Men Do b/w Prowler ‘88, The Clairvoyant b/w The Prisoner (Live), Infinite Dreams (Live) b/w Killers (Live).

Quem é clássico pode.

Já tenho a maioria dos vinis (caracas, que plural horrível!), quem sabem completar a coleção...

Up the irons!!!

segunda-feira, 11 de março de 2013

A vingaça dos velhos headbangers - Lado B

Meu post anterior me fez pensar mais sobre o fato de termos (os velhos headbangers) virado um clássico.
O rock'n roll surgiu nos anos 50 como evolução (leia-se adaptação/reação a um momento histórico) do blues e foi também o nascimento de uma ruptura, onde "a música dos filhos é uma e a dos pais é outra".

A longevidade e a qualidade do Metal curiosamente trouxe o rock de volta a toda família. Como disse Alice Cooper, um dos precursores do Shock Metal, "agora eu sou um entreteinimento familiar e os avós vem com os netos nos meus shows".

Por que viramos um clássico?
Bom, não tenho a pretensão de fazer um tratado histórico-cultural acadêmico sobre o tema, mas resumir a evolução dessa música e trazer alguns elementos que a fizeram perdurar décadas e a forjar (bom termo pro assunto! rs) seu lugar na história da boa música.

Os principais pais do rock são Chuck Berry, Bo Diddley e Little Richard, tendo os expoentes brancos muito mais papel na sua divulgação/propagação do que propriamente na música (o nascimento em si, não negando contribuições musicais importantes), cito principalmente Elvis Presley, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly e Roy Orbison.

Sua evolução notadamente originada do rhythm and blues (lembrando que o termo R&B norte americano designa algo diferente do R&B britânico) a torna uma música de origem negra (usem a palavra politicamente correta que quiserem), ou seja, uma black music.
Segundo o próprio Little Richard, basicamente adicionou-se o boogie-woogie ao blues. 
Ray Manzarek (The Doors) diz: "Se não fossem os negros norte-americanos estaríamos fazendo minueto e dançando na ponta dos dedos".

A distorção nas guitarras apareceu com Jeckie Brenston and the Delta Cats, quando o produtor San Philips decidiu usar o som de um alto-falante rachado durante a gravação no amplificador da guitarra, em Memphis, Tennessee, 1951.
Em Londres na década de 60, quando altos volumes (e aí devemos citar Jim Marshall, fundador da Marshall Amplifiers), a distorção e os demais elementos do rock'n roll foram misturados e 'acelerados', assim como influências diretas do blues e do jazz foram integrados criou-se o hard rock, onde destaco The Kinks, The Who e claro, a "Santíssima Trindade do Rock": Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath.

Enquanto isso nos EUA, Jimmy Hendrix levou a guitarra a caminhos nunca trilhados e expandiu o horizonte musical desse instrumento, sendo que o mesmo foi levado a incríveis velocidades através, principalmente, de Dick Dale, da surf music.
O garage rock americano contribui com a expontaniedade e a agressividade bad boy, onde destaco Ted Nuggent, Steppenwolf, MC5 e Blue Cheer. 

Em 70, as tours, que começaram por absoluta falta de dinheiro pra gravar um disco, não aceitação das gravadoras e (in)visibilidade nas rádios, ficaram famosas com o Kiss. Porém, no fim dessa década a (porcaria da) música disco invadiu os EUA e quase arruinou com o rock de lá.

O Big Rock (definição dos próprios) do Van Halen apareceu ainda na década de 70 pra resistir ao disco no EUA.

Voltando ao outro lado do Atlântico, em 70 o R&B e o Hard Rock britânico estavam em alta e sem dúvida, a "Santíssima Trindade do Rock", em especial o Black Sabbath, "pariram" o Heavy Metal.

O Led Zeppelin era a banda de R&B mais "pesada", com a guitarra distorcida de Jimmy Page, o front man estiloso Robert Plant e seus fortes elementos de blues e folk.
O Deep Purple trouxe grande qualidade musical com os riffs lendários de Ritchie Blackmore, a bateria pesada e rápida de Ian Pace e claro, a erudita influência dos teclados de Jon Lord, associados aos grandes letristas Ian Gillan e Roger Glover.

Mas foi o Black Sabbath, com os tons jazzísticos de Geezer Buttler e  Bill Ward, o vocal perturbado de Ozzy Osbourne, as experimentações clássicas da pesada guitarra de Tonny Iommi (a clássica música "Black Sabbath" foi inspirada em Mars, de Gustav Holst), o tom sinistro e o visual sombrio, que foi o pai, ou pelo menos o padrinho do heavy metal.
O ambiente sombrio, opressor e pobre de Birmingham foi o berço e evidentemente a influência do que alguns chamam, indo além da paternidade, de a primeira banda de heavy metal do mundo.

Rainbow, ACDC, Rush, Van Halen e várias outras bandas firmariam o heavy metal como estilo musical, mas foi o Judas Priest que consolidou o que seria o heavy metal moderno, com as roupas de couro preta, o abandono definitivo do blues de 12 compassos e usando 2 guitarristas em perfeita simbiose.

Depois da onda punk no final da década de 70 atrapalhar o metal (o punk sempre foi mais um movimento social do que propriamente um estilo musical, sendo que os próprios punks assumem que os 'metaleiros' é que faziam música), uma nova geração de metaleiros estourou no mundo todo no início dos anos 80, fazendo com que o heavy metal virasse um fenômeno mundial, sendo essa onda conhecida como "New Wave of British Heavy Metal", destacando-se aí o Iron Maiden (acredito eu, a maior banda de heavy metal do mundo. up the irons!*), Saxon, Motorhead e Def Leppard.

Até hoje com alguns pequenos sustos - porcarias mesmo - como o Glam Metal (ainda nos 80) e a maior parte do Nu Metal (talvez Sepultura seja a única coisa a ser mencionada) e do Grunge, o heavy metal e suas vertentes se estabeleceram como uma forma clássica de música e até mesmo, como movimento cultural e social.

Não entendeu ainda?
Vá ouvir com paciência até aprender.

Se você perceber o virtuosismo de Niccolo Paganini em Eddie Van Halen (Van Halen) e Yngie Malmsteen por exemplo, não é mera coincidência.

Se você notar a teatralidade e o alcance vocal do Pavarotti em Rob Halford (Judas Priest), Bruce Dickinson (Iron Maiden) e Geoff Tate (ex-Queensryche) por exemplo, não é mera coincidência.

Se você achar Richard Wagner ou Gustav Holst em Black Sabbath, não é mera coincidência.

Se você viajar para a idade média com Ritchie Blackmore (Rainbow) por exemplo, não é mera coincidência.

Se você sentir Howlin' Wolf em James Hattfield (Metallica) não é mera coincidência.

Se você ouvir Robert Johnson em Led Zeppelin por exemplo, não é mera coincidência.

Se você for atingido por Buddy Rich através de Dave Lombardo (ex-Slayer) por exemplo, não é mera coincidência.

Se você tiver alguma alucinação visual com uma ópera ao ouvir Pink Floyd ou Rush por exemplo, não é mera coincidência.

Esses assuntos mereceriam livros. Muita coisa boa foi omitida.
Quis apenas desenrolar um pouco do porque fomos "acusados" de sermos velhos patéticos ouvindo música clássica.




 *up the irons é uma expressão usada pelos fãs e admiradores do Maiden. Uma espécie de grito de guerra, um trocadilho com a tradução da expressão ao pé da letra, o estilo musical e claro, o nome da banda.