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sábado, 20 de novembro de 2010

O Universo imperfeito só cria um Sagan

Esse mês, Carl Sagan faria 76 anos.
O mais querido dos ateus é reverenciado por praticamente todas as religiões, e já tem o seu segundo Carl Sagan Day.



Em seu livro "Universo Imperfeito", Marcelo Gleiser o cita umas dúzias de vezes, inclusive nas dedicatórias.
Gleiser ficou conhecido pelo público leigo por apresentar duas séries na rede Globo e narrar uma outra no Discovery.



Sagan parece que ganhou um discípulo brasileiro, na linha dos cientistas que defendem uma nova ciência, mais popular e menos pretenciosa, mas não menos comprometida com a realidade - dentro do que podemos medir e evidentemente dentro de determinados limites.

Dizer que "Universo Imperfeito" é totalmente para leigos é um pouco exagerado. O "leigo" que ele cita é alguém sem os mesmos requisitos matemáticos de um físico teórico, mas com razoável conhecimento de ciências e uma boa capacidade de extrapolar o senso comum e "aquilo que os sentidos podem captar".

Nesta sua obra, Gleiser narra todos os avanços da física de partículas e cosmologia até pelo menos 2 anos atrás, e defende a idéia de que a busca por uma teoria geral de unificação é o 'monoteísmo científico', ou seja, resquícios de influências religiosas na ciência.

Em suas alegações, cita as imperfeições e assimetrias do universo, afirmando - e com razão - que a natureza sempre se desdobrou e se transformou graças a elas e não a uma beleza e simetria platônica.

Nosso compatriota se diz um cético e em várias ocasiões criticou a postura dos "4 Cavaleiros do Apocalipse" (Richard Dawkins, Sam Harris, Daniel Dennet e Chritopher Hitchens), e para ele, a ciência deveria oferecer uma alternativa para as crenças que defendem um criador, um propósito para a vida inteligente, conexões causais da nossa existência, etc.

Curiosamente me parece que ele deu mais munição ainda a Dawkins, pois o que ele "deixa para Deus" é ser um criador estúpido e relapso, demonstrando claramente que o espaço deixado para Ele no conhecimento atual são uns poucos segundos após o Big Bang.

Acho que ele se diz cético para não confrontar demais o público "convencional", pois em diversas partes do livro ele escreve claramente sobre a completa impossibilidade da teoria de um criador e de alguma evidência para que tenhamos sido criados "com algum propósito".

Mas na linha dos defensores da comunhão da humanidade com o universo e de uma sociedade mais solidária e defensora do planeta acho mais interessante o Fritjof Capra, apesar de seus inúmeros críticos.

Mas para quem acha que de alguma forma Gleiser abre espaço para a perda de credibilidade da física teórica, num capítulo ele escreve: "...se alguém acha que algumas leis físicas dão  espaço ao relativismo cultural, eu sugiro que pule do alto de um telhado..."






segunda-feira, 29 de março de 2010

Ciência, razão e... sim, emoção

A educação está algumas (muitas) décadas atrasada.
A ciência na sala de aula e na mídia só é pensada em termos de mecânica newtoniana e em "reducionices Descartianas".
Mas desde as primeiras décadas do século passado as coisas não são bem assim...

Somente para ilustrar o começo da bagaça:


"Todas as vezes que faziam uma pergunta à natureza, num experimento atômico, a natureza respondia com um paradoxo, e, quanto mais eles se esforçavam por esclarecer a situação, mais agudos os paradoxos se tornavam.

Em sua luta para aprenderem essa nova realidade, os cientistas ficaram profundamente conscientes de que seus conceitos básicos, sua linguagem e toda a sua forma de pensar eram inadequados para descrever fenômenos atômicos.

O problema deles não era apenas intelectual, mas envolvia uma intensa experiência emocional e existencial, como foi claramente descrito por Werner Heisenberg: 'Recordo as discussões com Bohr que se estendiam por horas a fio, até altas horas da noite, e terminavam quase em desespero; e, quando no fim da discussão, eu saía sozinho para um passeio no parque vizinho, repetia para mim, uma e outra vez, a pergunta: Será a natureza tão absurda quanto parece nesses experimentos atômicos?'" - Fritjof Capra


Curiosamente, mas não ao acaso, a teoria quântica não saiu de nenhum insight individual, mas de colaborações coletivas, entre outros: Max Planck, Albert Einstein, Niels Bohr, Louis De Broglie, Erwin Schrodinger, Wolfgang Pauli, Werner Heisenberg e Paul Dirac.


Tamanho o impacto da mudança, muitos envolvidos mudaram seus rumos na profissão, alguns chegando a estudar filosofia oriental.

Pauli por exemplo, se juntaria a Carl Jung para estudarem juntos psicologia e física, cujas barreiras ficaram muito mais sutís do que se poderia "permitir" durante o iluminismo.

Então o Coisa não é antagônico quando malha a velha ciência e nem se contra diz por ser mole por dentro.


Mas cuidad's com meus limites! Hehehehehe!


A interação e a colaboração passaram a ser mais importantes, tanto no estudo, quanto no sentido da natureza já que assim como os neuronios, os átomos em si, sozinhos, não são nada. 
Quando isso vai se refletir na sociedade?
Não tenho a menor idéia.

Mas que os novos cientistas tomam uns goró pra aguentar o tranco isso tomam!