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domingo, 4 de maio de 2014

Eu não tenho preguiça!

Ouço com frequência a expressão "eu não tenho preguiça".
Nada mais falacioso e hipócrita. A mais pura herança da educação cristã em ação.

Todos temos preguiça alguma vez ou para algumas coisas.
Mas essa doutrina do trabalho corporativo parece que fez mais um mal, o da 'hiperhipocrisia'.
Associada à eterna vergonha do brasileiro em trabalhar (pesquise que isso vem desde a colonização), juntou-se o inútil ao desagradável.

O trabalho corporativo é o único aceitável, pois dá uma sensação de engajamento num grupo, status e um local de desfile de sorrisos facebook (aquele mesmo que às vezes você faz ao seu vizinho).

Com isso ninguém faz mais nada, desde cozinhar até um garage work (como dizem os norte americanos). As desculpas são as mais variadas, mas no fundo é preguiça e a vergonha de qualquer atividade não corporativa (a que justificaria, com suposta dignidade, a ação de trabalhar).

O preço pago é mais alto que os das bugigangas inúteis e que você não precisa, comprados para compensar a frustração de uma vida que se perde por entre os dedos.

Come-se mal em casa, come-se mal fora de casa (ou page-se um absurdo por isso), fica-se cada vez mais sedentário, perde-se criatividade, perde-se prazer em realizar algo manualmente e perde-se a oportunidade de aprender mais alguma coisa.

A alegria das corporações.
Um sujeito cheio de dogmas, escravo, estúpido, inútil e consumista.
Inútil?! Na grandiosidade da palavra, para ser um bom empregado você precisa antes de mais nada ser mediano e cumprir estritamente o que te pedem. Balela essa de pró-ativo.

Ser mediano é não ser muito ruim e nem ser muito brilhante, ou seja, é ser medíocre, não ameaçar ninguém e ser polido.
Como disse Bruce Dickinson (Iron Maiden): "qualquer macaco pode ter MBA".
Ri muito com seu desabafo na Campus Parti pois sempre disse o mesmo com a área que trabalho: qualquer símio hoje faz um software.

Segundo recentes estudos sobre a plasticidade do cérebro, algumas partes do mesmo só se "exercitam" quando se faz trabalhos manuais, portanto, o dito 'trabalho intelectual' é mais uma bobagem para desvalorizar os artesãos e trabalhadores braçais, além do mais, serve como alerta pro seu filho gordo jogando videogame.

Estou com preguiça de desenvolver mais esse texto.
Einstein estava com preguiça em sua mesma no escritório de patentes quando pensou na relatividade.

Mas você meu caro e estimado trabalhador, você não tem preguiça.
A hipocrisia e o medo realmente são marcas registradas da sociedade atual.



sábado, 13 de novembro de 2010

O ócio...

Puxa, ando tendo várias idéias para escrever, mas nenhuma vontade em ir as vias de fato.
Sabe como é, a preguiça, ócio, procrastinação, enfim, a vagabundagem mesmo.

A saída da mundana capital paulista tem vantagens e desvantagens.

Começando pela primeira, já cito a ausência de pressa, a quase extinção do stress, a redução drástica da ansiedade desnecessária, o ar infinitamente de melhor qualidade, a inexistência do estranho calor calcinante do centro (tipo "Não Verás País Nenhum" mesmo), o esquecimento do sentido da palavra trânsito, praias, cachoeiras, reservas ecológicas, trilhas pra motoca, silêncio, silêncio, silêncio, silêncio e, finalmente, silêncio.


Uns amigos me disseram que estavam com inveja e outros que "um dia chegam lá".
Respondi calmamente que eles sabiam o quanto eu não era milionário (muito pelo contrário) e que tudo o que é delicioso aqui é absolutamente de graça.

Mas claro, desculpem a expressão e a linguagem, tem que ter culhão para largar a pocilga.

Aff, já me deu sono... a minha wi-fi por aqui da prioridade a rede, não a local ou a net, mas a rede mesmo.


Ops, esqueci das desvantagens...
Bem, não me ocorre nenhuma agora.