Mostrando postagens com marcador Marcelo Gleiser. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marcelo Gleiser. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A ciência hoje

Marcelo Gleiser hoje, para mim, pode ser a síntese da ciência moderna.
Um bom exemplo do que a ciência estuda, de como ela realiza esses estudos, de como ela está relacionada com a vida cotidiana e com as outras áreas do conhecimento humano.

Usa nobremente o seu recém adquirido status de pop star brasileiro (apresentou programas de TV, ministrou palestras, autor de best sellers, professor universitário e cientista respeitado) para divulgar, entre outras coisas, a ciência moderna, a necessidade de investimento público em educação (ele cobra dos colegas cientistas essa postura e já foi ao senado) e a necessidade de se cuidar do planeta.

É acessível, didático e carismático, um verdadeiro discípulo do Carl Sagan.

Nesses vídeos ele apresenta as inovações da ciência moderna, quebra os paradigmas nacionais sobre a educação norte-americana (eu não sabia, mas a universidade americana é mais ou menos o que eu defendia de modelo aqui no Brasil), demonstra a importância da física teórica para o cotidiano e tenta responder aos anseios teístas do lugar de Deus na vida.

Gosto de seu posicionamento a perguntas típicas. Por exemplo, sem meias palavras ele diz: não há necessidade de um criador para o universo e as probabilidades da existência de vida inteligente fora da Terra são quase desprezíveis (importante citar que ele defende que para a vida, a inteligência não é essencial e muito menos de alguma forma é importante).

No programa da Marília Gabriela:




E na Band em 5 partes:




Estou ansioso pelo seu novo livro, que parece tratar de um assunto que me interessa muito, o que é a realidade, como construímos a realidade e como ela pode ser construída por outros seres vivos.

Alguns dizem que a ciência é uma religião.
Sob certo aspecto pode ser, mas não conheço nenhum físico que tenha defendido a fusão a frio tenha feito um atentado a bomba a outro grupo que o desqualificava, nunca ouvi falar de universidades que foram a luta armada por posições divergentes e desconheço alguma religião que assuma a impossibilidade de verdades absolutas e muito menos de conhecimentos acumulativos.

Mas se quiserem assim a definir, sim, até que me demonstrem uma mais adequada esta é a minha "religião".

sábado, 20 de novembro de 2010

O Universo imperfeito só cria um Sagan

Esse mês, Carl Sagan faria 76 anos.
O mais querido dos ateus é reverenciado por praticamente todas as religiões, e já tem o seu segundo Carl Sagan Day.



Em seu livro "Universo Imperfeito", Marcelo Gleiser o cita umas dúzias de vezes, inclusive nas dedicatórias.
Gleiser ficou conhecido pelo público leigo por apresentar duas séries na rede Globo e narrar uma outra no Discovery.



Sagan parece que ganhou um discípulo brasileiro, na linha dos cientistas que defendem uma nova ciência, mais popular e menos pretenciosa, mas não menos comprometida com a realidade - dentro do que podemos medir e evidentemente dentro de determinados limites.

Dizer que "Universo Imperfeito" é totalmente para leigos é um pouco exagerado. O "leigo" que ele cita é alguém sem os mesmos requisitos matemáticos de um físico teórico, mas com razoável conhecimento de ciências e uma boa capacidade de extrapolar o senso comum e "aquilo que os sentidos podem captar".

Nesta sua obra, Gleiser narra todos os avanços da física de partículas e cosmologia até pelo menos 2 anos atrás, e defende a idéia de que a busca por uma teoria geral de unificação é o 'monoteísmo científico', ou seja, resquícios de influências religiosas na ciência.

Em suas alegações, cita as imperfeições e assimetrias do universo, afirmando - e com razão - que a natureza sempre se desdobrou e se transformou graças a elas e não a uma beleza e simetria platônica.

Nosso compatriota se diz um cético e em várias ocasiões criticou a postura dos "4 Cavaleiros do Apocalipse" (Richard Dawkins, Sam Harris, Daniel Dennet e Chritopher Hitchens), e para ele, a ciência deveria oferecer uma alternativa para as crenças que defendem um criador, um propósito para a vida inteligente, conexões causais da nossa existência, etc.

Curiosamente me parece que ele deu mais munição ainda a Dawkins, pois o que ele "deixa para Deus" é ser um criador estúpido e relapso, demonstrando claramente que o espaço deixado para Ele no conhecimento atual são uns poucos segundos após o Big Bang.

Acho que ele se diz cético para não confrontar demais o público "convencional", pois em diversas partes do livro ele escreve claramente sobre a completa impossibilidade da teoria de um criador e de alguma evidência para que tenhamos sido criados "com algum propósito".

Mas na linha dos defensores da comunhão da humanidade com o universo e de uma sociedade mais solidária e defensora do planeta acho mais interessante o Fritjof Capra, apesar de seus inúmeros críticos.

Mas para quem acha que de alguma forma Gleiser abre espaço para a perda de credibilidade da física teórica, num capítulo ele escreve: "...se alguém acha que algumas leis físicas dão  espaço ao relativismo cultural, eu sugiro que pule do alto de um telhado..."






sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Física, o tempo, e aquela senhora de cetim

Perdi meu pai com 5 para 6 anos, antes de descrever algumas sensações que vagavam constantemente na minha mente durante a infância e a adolescência, passarei algumas semelhanças interessantes que descobri recentemente - claro que nunca me achei "especial" e muito menos tenho a pretensão de sequer esbarrar na grandiosidade dos citados.

O físico Marcelo Gleiser perdeu a mãe com 6 anos, e segundo ele mesmo, sua infância e adolescência foi marcada pela busca do significado do tempo, e por motivos óbvios, amadureceu já com boa noção de finitude.
A parada na Física foi consequência natural.

O físico Ronald Malley perdeu seu pai com 10 anos. Seu sonho de infância era construir uma máquina do tempo e salvar seu pai.
Hoje trabalha numa "máquina do tempo", nada cinematográfico ou fantasioso, mas, de início, tenta "desviar no tempo" alguns elétrons.

Os pais são o que mais próximo experimentamos do Criador.
Calma lá, sou ateu, é uma afirmação com base psicanalítica.

Mas enfim, quer queiramos ou não, por bem ou por mal, crescemos com base neles e querendo corresponder aos anseios dos "deuses", portanto, perder um deles é se confrontar com a mortalidade da divindade.

Pra mim, o tempo e a morte sempre foram coisas estranhas e interessantes. Nada mórbido ou suícida.
A noção de finitude cresceu comigo, e "perder tempo" sempre foi algo que me horrorizou.
Associado à hiperatividade foi o caos. 

Nunca gostei de ir no cinema pois achava que poderia estar perdendo algo, e assim foi (e ainda é, apesar de um controle mínimo da maturidade) com qualquer outra coisa. Imaginem a dificuldade de estar escrevendo...

Sempre quis viver cada segundo, e talvez por isso, tenha perdido muitos.

Cresci sabendo que a riqueza do tempo não pode ser comprada, ganha, doada ou alugada, talvez por isso o "sucesso" material nunca tenha me seduzido, e fico entristecido com amigos que jogam fora suas horas preciosas numa corporação, juntando porcarias para um futuro que não existe.

Na adolescência busquei freneticamente a minha herança. A que interessa de fato, o caráter.
Não quis ter apenas a minha imagem do meu pai, quis saber dos outros. Queria ter certeza de que, com todas as deficiências humanas, ele tenha sido, no seu âmago, um homem bom.

Bom?! Simplesmente gentil e preocupado com as pessoas queridas, e acima de tudo, generoso. Gostamos mais de comprar coisas para os outros do que para nós mesmos, aliás, nunca consegui responder à pergunta de um cliente meu: "Mas você não quer nada?".

Não entendeu a "senhora de cetim"?

Bom, um DDA famoso chamado Raul Seixas, assim descreveu a morte: "Vou te encontrar, vestida de cetim, pois em qualquer lugar, espera só por mim."