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sábado, 26 de novembro de 2011

Doenças da civilização

Apenas faltou citar  que a quase totalidade das demais causas estão sendo incluídas nas chamadas "doenças da civilização". Não que eram inexistentes antes do advento da modernidade, mas que o modelo de trabalho/consumo atual fomentou tais males.

Afastamentos por doenças mentais disparam no país
Da Folha de São Paulo - 25/11/2011-08h00

O mercado de trabalho tornou-se um foco de doenças como depressão e estresse. A tendência já se reflete em forte aumento no número de brasileiros afastados pelo INSS por esse tipo de problema de saúde, informa reportagem de Érica Fraga e Venscelau Borlina Filho publicada na Folha desta sexta-feira.

As concessões de auxílio-doença acidentário --que têm relação com o trabalho-- para casos de transtornos mentais e comportamentais cresceram 19,6% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado.

Esse aumento foi quatro vezes o da expansão no número total de novos afastamentos autorizados pelo INSS.

Nenhum outro grupo de doença provocou crescimento tão forte na quantidade de benefícios de auxílio-doença concedidos entre janeiro e junho deste ano.

"Há ondas de doenças de trabalho. A onda atual é a da saúde mental", diz Thiago Pavin, psicólogo do Fleury.

Mudanças adotadas pelo Ministério da Previdência Social em 2007 facilitaram o diagnóstico de doenças causadas pelo ambiente de trabalho. Isso levou a um forte aumento nas concessões de benefícios acidentários para todos os tipos de doença em 2007 e 2008.

Os afastamentos provocados por casos de transtornos mentais e comportamentais, por exemplo, saltaram de apenas 612 em 2006 para 12.818 em 2008. Mas, depois desse ajuste inicial, tinham subido apenas 5% em 2009 e recuado 10% em 2010.

Editoria de arte/Folhapress


Matéria original da Folha.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E então, é porque é "importante" mesmo?!

Sempre achei meio (ou completamente) absurdo gastar os tubos num tênis.
Mesmo sendo um indivíduo razoavelmente "esportista" e portanto nada sedentário, sempre fui o pior cliente pra essas lojas de tênis metidas a besta.
Ainda mais sendo um 'garoto rude' que entra na loja e já vai soltando: "Se for mais de 150 paus nem mem mostra!" (e já acho muito bem pago)



Pesquisas (finalmente) isentas mostram que correr descalço causa menos males do que com tênis, seja lá qual o tipo for. Tem algo num artigo antigo da Science. Sorry, não me lembro onde li outras coisas a respeito, inclusive em português.

Claro que não é novidade que para a molecada (ou os 'nem tanto') é puro status.

É só para registrar a confirmação.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"Um ponto de partida pra subir na vida..." - Premê

Estou de mudança marcada pra zarpar dessa cidade doente.
Um grande amigo com data marcada pra voltar.

Ambos temos a mesma idéia desta metrópole (São Paulo), mas ele, ao contrário de mim, não conseguiu convencer os pais a saírem daqui e, como deseja dar suporte aos mesmos, voltará à região.

Por coincidência, significativa ou não, vi um episódio de "Anthony Bourdain Sem Reservas" em São Paulo. Pra quem não conhece, Tony Bourdain é um chef francês radicado nos EUA, cínico, cáustico e de hábitos nada saudáveis, enfim, um cara bem legal (rs).

Tony: "Quando fui chegando em São Paulo achei a cidade horrível. Depois que cheguei confirmei minha impressão. A Nova York dos trópicos. Parece que Los Angeles vomitou em Nova York."

Claro que ele se encantou com algumas coisas, como qualquer um que vá a uma grande metrópole, mas a impressão geral me pareceu bastante ruim.
Como ele gosta sempre de visitar os locais mais "nativos", Mercado Municipal e uns botecos sujos foi o básico, e restaurante "chique" foi apenas para conhecer os nossos chefs nordestinos, os quais elogiou muito e disse que sempre confirma que os grandes cozinheiros sempre vieram de locais humildes pois aprendem desde cedo a aproveitar qualquer tipo de comida.

Conheci esse meu amigo (de volta a ele — meus saltos quânticos de pensamento não são adequados a uma forma de comunicação tão linear e plana como a escrita) no IFUSP, mas estudamos juntos na ETI Lauro Gomes, no ABC paulista, local de muitas saudades, onde ficamos por três anos, das 8 às 18 horas na batalha pra conseguir os almejados 61 pontos de 100 necessários para aprovação (sim, a escola era estadual e era excelente).

Nessa época não tivemos contato, pois ele repetiu o primeiro ano. Por ironia (e vocês entenderão o porquê), por causa da Física.

PhD em Física de materiais, com parte do mestrado no Canadá e "pós-doc" no Japão, me presenteou com uma das impressões de sua tese de mestrado e uma do doutorado, o que "só" isso já justificaria minha gratidão.
Mas nos agradecimentos consta o meu nome, o que mais ainda me encheu de orgulho.

Até hoje guardo com muito carinho, felicidade e um orgulho de irmão a ambas.

O que isso tudo tem a ver com São Paulo? Bem, espero alinhavar um pouco melhor...

Se estes presentes viessem de outra pessoa, possivelmente não teriam o mesmo valor.
Meu brother sempre teve uma vida tranqüila de classe média, mas nunca deu a mínima pra esses valores. De fato e sem discursos vazios.

Estava sempre com suas camisetas de "político zoadas" e cabelo que ele mesmo corta. Nunca teve anseios de consumo e nem almejava essas medíocres carreiras corporativas.
Dentre todas as suas viagens, uma das que mais gostou foi a do Tibet, onde me disse que se sentiu muito bem acolhido e em paz, apesar da "pobreza" da região.

Casou em cerimônia shintoísta no Japão, com uma japa que importou pra cá (e ele é um paulista/'santo andréense' filho de nordestino).

Ele é uma das raras pessoas surpreendentes num mar de boçalidades desta metrópole que representa tudo o que há de mais convencional, medíocre e doentio desta nossa civilização judaico-cristã-ocidental (como diz — e não há nada de cômico nisso — o Osama do Casseta & Planeta).

Esse tipo de pessoa não merece uma vida insalubre num local fétido, feio e de más companhias.

Ficamos uns bons anos presos aqui. 
Como reféns desse medo de achar que as supostas "oportunidades" só estão aqui.
Iludidos também pelas quinquilharias que se pode obter às custas de muita vida jogada fora.

Meu brother, minha casa estará sempre de portas abertas pra você, a "nipopatroinha" e o mesticinho gaúcho (que, com certeza, será um grande sujeito! hehehe — não é só coincidência ele ter sido registrado no mesmo cartório de PoA que o Coisa).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Hipertensão e hipotesão

Nosso excelentíssimo ministro recomendou o sexo como anti-hipertensivo.
Uma asneira, apesar de ter sido bom que o assunto tenha sido colocado em pauta.

Muito mais do que um remédio, o sexo é um indicador.

Uma nova pesquisa foi publicada a respeito da hipertensão e apontava um aumento percentual maior entre as mulheres do que entre os homens. Uma "especialista" concluiu que era devido à maior longevidade feminina!

Que espécie de anta deduz isso?
As mulheres sempre tiveram uma longevidade maior. É coincidência que com o aumento de sua participação nessa sociedade competitiva é que houve praticamente uma equiparação ao número de homens hipertensos?

Por que parece que existe uma lei que impede a conclusão de que o trabalho (esse sistema doentio de acúmulo de bens e status) é que faz mal?

Como essas criaturas assexuadas, que vagam por essas corporações que mais parecem um filme de ficção científica, podem ter algum prazer, seja ele qual for?
Quem depois de ficar 10 horas dentro de um lugar desses (acompanhado de clones de si mesmo) e tendo ficado mais 3 horas no trajeto pode ter alguma espécie de vida sexual?

Uma amiga minha, imersa nesse balaio, disse que gostava de dinheiro.
A afirmação é tão sem sentido que eu sequer comentei.
Por mais que eu imagine que ela quis dizer que seria o que o dinheiro poderia comprar, ainda assim permance uma afirmação das mais doentias que eu já ouvi.

Nossos vilões da vez: hipertensão, stress, colesterol e agora, graças ao senhor ministro, a falta de sexo. 

O que os causa não importa.
Acho que vida merda não pode ser mensurada pela ciência.

domingo, 21 de março de 2010

Sátira dos símbolos modernos


Colocar um manete de acrílico com caranguejo dentro na alavanca de câmbio era brega; hoje é tunning.
Comprar leite C era coisa de pobre; hoje é light.
Andar com havaiana ou sandália de "prástico" era uma tragédia; hoje é fashion.
Usar calça rasgada era coisa de homeless; hoje é style.
Carro com 20 anos era apenas velho; hoje é vintage.
Mortadela era motivo de piada; hoje ninguém nem entenderia.
Ter tatuagem era coisa de marginal; hoje é "atitude".
Ser gordo era coisa de abastado; hoje é uma pandemia.
Ser forte era coisa de circo; hoje é coisa de "malhado".
Um atulhado de moradias juntas era uma vila de operário; hoje é condomínio. 
Comprar um espaço aéreo era coisa de louco; hoje esse espaço (mínimo, diga-se de passagem) chama-se apartamento.
Trabalhar 14 horas por dia era coisa de peão; hoje é coisa de executivo.

Se eu for continuar...