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sexta-feira, 25 de abril de 2014

A ignorância é atrevida, arrogante e ditadora, e também mal intencionada

Há poucos dias minha esposa me perguntou incomodada sobre o que devia fazer com relação há um cliente que criticou seu trabalho. Na verdade o cliente do cliente.
Eu perguntei qual o motivo e ela me disse que havia um erro em 10 mil palavras (ela é tradutora).
Perguntei o que mais e ela me disse que houveram questionamentos vagos.
Eu recomendei que ela exigisse tudo o que houve de errado tanto para ter evidências do problema quanto para poder melhorar seu trabalho.

Nunca houve tais evidências.

Chegamos à conclusão, após uma análise do seu trabalho, que houve má fé por parte do contratante ou do cliente do contratante com fins de conseguir abatimento no preço ou até mesmo a suspensão total do pagamento.

Minhas faxineiras estavam em casa (sim são duas, o que é bastante diferente já que são gêmeas que trabalham juntas e não eu que sou um abonado contratante) e elas são testemunhas de Jeová.

Elas ouviram a conversa toda e concordaram com os questionamentos e as conclusões. Aproveitei e arrematei discretamente sobre o quão absurdo seria em concordar com qualquer coisa sem o mínimo de evidências, ou seja, de plausibilidade.

Como uma pessoa que é acusada de algo e é presa sem saber qual é a acusação e quais são as provas.

Elas concordaram mas em pouco tempo um silêncio e um incômodo pairavam no ar.
Bingo! Consegui o que queria.
Evidentemente não se acorda ninguém de suas crenças com poucas frases, mas quando alguém guarda o mínimo de sanidade mental, percebe mesmo que inconscientemente (daí o mal estar) o disparate de suas crendices.



Ok, é imensamente provável que elas não façam nenhuma conversão religiosa, muito menos uma conversão "não religiosa", mas meu teste foi bem sucedido, a de que todos nascemos cientistas.

Até há pouco tempo atrás eu achava que a ciência estava avançando e que havia esperança para o pensamento crítico e investigativo no mundo, mas creio que não é bem assim.
Divulga-se e ensina-se a 'meia ciência', ou seja, continuamos com alguma espécie de fé, mesmo que seja na tecnologia, aceitando o que vem desta ciência tecnológica e instrumental como verdade absoluta, ou seja, dogma.

Questionar, perguntar e exigir evidências, o que é função da verdadeira ciência, é perigoso para a manutenção do poder e do status quo.

Além de toda sua contribuição científica, devemos celebrar Sagan como um divulgador do pensamento científico e uma pessoa socialmente ativa. Mesmo como professor já foi preso em manifestações contra a energia nuclear e foi ao senado diversas vezes para a exigência de condições de ensino.
Também conclamava seus colegas cientistas para uma maior participação social e política.  

"Ciência é mais do que um corpo de conhecimento, é uma forma de pensar.
Uma forma cética de interrogar o universo com pleno entendimento da falibilidade humana.
Se nós não estamos aptos a fazer perguntas céticas para interrogar aqueles que nos dizem que algo é verdade e sermos céticos quanto aqueles que nos são autoridade, então estamos à mercê do próximo charlatão político ou religioso que aparecer." - Carl Sagan

Tomas Jefferson dizia que não se deve apenas exaltar os direitos civis e liberdades individuais constitucionais, o povo deve ser educado e tem que praticar o seu ceticismo e a sua educação, de outra forma não controlamos o governo, o governo que é quem nos controla.

Continuando com Sagan: "As pessoas lêem cotações da bolsa e as páginas financeiras. Veja o quão complexo é isso... as pessoas conseguem ver estatística dos esportes... entender a ciência não requer mais energia intelectual do que isso... a questão sobre ciência, primeiro de tudo, ela está atrás de o que realmente é o universo e não do que nos faz sentir bem, e muito das doutrinas religiosas é que elas nos dizem o que nos faz sentir bem e não do que é verdade.

Acreditar, e isso é fé, quando não há evidência persuasiva é um erro.

Quem é mais humilde, o cientista que olha para o universo de mente aberta e aceita o que quer que ele traga ou alguém que diz que 'tudo nesse livro tem que ser considerado verdade literal' e nunca se importe com a falibilidade dos humanos envolvidas na escrita desse livro?

De fato há muito que não sabemos, mas isso não quer dizer que toda afirmação fraudulenta tenha que ser aceita. Devemos requerer os padrões mais rigorosos de evidências, especialmente no que é importante para nós."

Hoje leio muito "os cientistas afirmam isso", "os pesquisadores afirmam aquilo", "pesquisas indicam", blá blá blá.
Carl sempre dizia que devemos ser céticos inclusive com o ceticismo, e essa é a sua maior maldição. Estarmos abertos a novidades que nos contradizem ao mesmo tempo em que devemos ser críticos inclusive com as pesquisas.

Não buscamos nos informar sobre como a pesquisa foi feita, quem as fez, quem as patrocinou, sob quais condições, etc.
A deseducação sobre ciência, não ensinando ou divulgando meias verdades, é na verdade uma forma de minar algo que a ciência nos ensina sobre o poder também, já que questionar autoridades, sejam elas políticas ou religiosas, costuma minar a estabilidade e o controle.
Não é atoa que a pena de morte para ateus exista em 7 países.

A maior contribuição da verdadeira ciência é nos ensinar a aprimorar as perguntas e não aceitar as respostas.
As respostas são pistas e indicativos para melhores perguntas.

Compreender a nossa limitação intelectual é importante e, apesar de angustiante, a ciência nos ensina que o melhor é o caminho e não a chegada.

A ciência de verdade enaltece o caminho e o refinamento das perguntas porque compreende a imensa probabilidade de não se chegar a verdade absoluta em nada.

Não tema, é muito mais belo, poético, acalentador e ético sabermos que somos poeira estelar sem nenhuma motivação maior em existirmos e sem qualquer outro destino a não ser devolver as moléculas que emprestamos do universo para que outras vidas existam.

Em sua última entrevista, indagado em se pensa em como será morrer, já que sua condição de portador de mielodisplasia seria fatal, ele responde sereno como sempre foi: "Penso em como seria para minha família. Eu não penso em como seria para mim porque não acho que exista algo em que você pense depois de morrer. É apenas um longo sono sem significado. Eu adoraria acreditar no oposto, mas não existem evidências.
Uma das coisas que isso me fez, foi intensificar minha apreciação pela beleza da vida, do universo e da prazerosa alegria de estar vivo."

Não estimular o pensamento científico é uma forma perniciosa de manter inalterados a balança do poder e o status quo social vigente, o que favorece desde grandes corporações e poderosos grupos sociais até pequenos clientes desprezíveis capazes de tudo para lucrar uns trocados.




segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A ciência hoje

Marcelo Gleiser hoje, para mim, pode ser a síntese da ciência moderna.
Um bom exemplo do que a ciência estuda, de como ela realiza esses estudos, de como ela está relacionada com a vida cotidiana e com as outras áreas do conhecimento humano.

Usa nobremente o seu recém adquirido status de pop star brasileiro (apresentou programas de TV, ministrou palestras, autor de best sellers, professor universitário e cientista respeitado) para divulgar, entre outras coisas, a ciência moderna, a necessidade de investimento público em educação (ele cobra dos colegas cientistas essa postura e já foi ao senado) e a necessidade de se cuidar do planeta.

É acessível, didático e carismático, um verdadeiro discípulo do Carl Sagan.

Nesses vídeos ele apresenta as inovações da ciência moderna, quebra os paradigmas nacionais sobre a educação norte-americana (eu não sabia, mas a universidade americana é mais ou menos o que eu defendia de modelo aqui no Brasil), demonstra a importância da física teórica para o cotidiano e tenta responder aos anseios teístas do lugar de Deus na vida.

Gosto de seu posicionamento a perguntas típicas. Por exemplo, sem meias palavras ele diz: não há necessidade de um criador para o universo e as probabilidades da existência de vida inteligente fora da Terra são quase desprezíveis (importante citar que ele defende que para a vida, a inteligência não é essencial e muito menos de alguma forma é importante).

No programa da Marília Gabriela:




E na Band em 5 partes:




Estou ansioso pelo seu novo livro, que parece tratar de um assunto que me interessa muito, o que é a realidade, como construímos a realidade e como ela pode ser construída por outros seres vivos.

Alguns dizem que a ciência é uma religião.
Sob certo aspecto pode ser, mas não conheço nenhum físico que tenha defendido a fusão a frio tenha feito um atentado a bomba a outro grupo que o desqualificava, nunca ouvi falar de universidades que foram a luta armada por posições divergentes e desconheço alguma religião que assuma a impossibilidade de verdades absolutas e muito menos de conhecimentos acumulativos.

Mas se quiserem assim a definir, sim, até que me demonstrem uma mais adequada esta é a minha "religião".

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Nada muda... ou a mudança é insignificante

Recentemente me disseram que eu iria adorar fazer filosofia por causa de uma conversa sobre valores, religião e outras coisas.
Isso novamente me fez pensar sobre minha desistência da faculdade e minha falta de vontade em retomá-la.

Ouvir a afirmativa da "invasão da ciência na metafísica"  me confirmou que filosofia não seria o retorno.
Apesar de gostar muito de filosofia, acho que ela também parou no sécuo XIX assim como a "ciência" que ela crítica. Ou antes.
O ar (éter) também era domínio da metafísica.

Mas na discussão, a criticada "ciência" também foi um dos motivos para minha perda de ânimo na graduação, já que essa não é a verdadeira ciência contemporânea. A da graduação é técnica, instrumental e burocrática.

A filosofia é ótima como crítica do pensar, da discussão sobre referências e valores, e tudo que permeia o universo humano, mas a ciência hoje, por motivos óbvios, não cabe apenas na "solidez" do senso comum humano.
Conclui-se facilmente que é um equívoco abissal designar médicos, "físicos de materiais", engenheiros ou biólogos técnicistas de "cientistas".

Mas se retornasse um dia a estudar (formalmente digo), realmente seria por algo burocrático ou para tentar a física novamente, pois é muito mais fácil ser um físico que gosta e utiliza a filosofia do que o contrário.

Nem perco meu tempo em discutir afirmativas da origem da física na filosofia. Uma balela.
Em tempos onde o conhecimento era infinitamente menor, é óbvio que apenas poderia existir a filosofia, e numa discussão sem fim e inútil, os chineses  muito antes da filosofia antiga poderiam ter inventado a física, ou algum Neanderthal que intuísse que tudo é feito de "coisas muito pequenas" também.

Mas não existem cursos assim, livres e realmente multidisciplinares.
Certa vez, há muitos anos, a USP tentou. Mas o bando de rebeldes sem causa dos centro acadêmicos não tem tempo para discutir conhecimento, já que suas preocupações únicas são o preço do bandejão, a privatização do ensino e as greves. Nesse caso a evolução foi nula.

Por outro lado admito que minha capacidade intelectual não seria suficiente para ser um cientista de verdade.
Nada de psicologismo barato ou choraminholas. É apenas a realidade. 
Aliás, o que diminui tremendamente a minha culpa.

O fato de ter nascido e viver sem propósito e sem sentido só me faz crer que me enquadro perfeitamente nesse universo: hostil, frio, sem sentido e sem propósito.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Investigações da mortandade de pássaros e peixes nos EUA

Já existem conclusões sobre a mortandade de pássaros e peixes nos EUA.



- Ufólogos

Está claro que uma formação de OVNI's aterrisou no Arkansas.
Foi coletado inúmeras provas cabais disso, mas a CIA, o FBI e o governo dos EUA estão acobertando o caso.
Vários moradores também relatam casos de abdução e estudo com  sondas retais.
Todos os cadáveres de pássaros e peixes estão sendo enviados para a área 52 pois a 51 já está lotada.

- Espíritas

Fica lógico e cientificamente comprovado que espíritos que não ascenderam a um plano superior ficaram perdidos em sua desencarnação e tiveram que encarnar em pássaros e peixes e acabaram se confundindo na viagem (já que os mesmos não sabem usar GPS).
Várias avicotranscrições e psicopeixegrafias foram feitas por médiuns conhecidos (os ótimiuns não estavam disponíveis pois estavam fazendo outro filme do Chico Xavier).

- Evangélicos

Sai capeta! Sai capeta! Sai capeta!
Uma corrente de orações está sendo realizada para espantar essas coisas ruins!
Aproveitando a oportunidade estaremos passando a caixa de doações para aumentarmos o templo de Arkansas.

- Católicos

O Papa Bento XVI garantiu que o uso de camisinhas é pecado e Deus poderá enviar uma chuva de pássaros novamente (versão 2.0 do 'enxame' de gafanhotos).
Aproveitou para exigir o término das pesquisas com células tronco e iniciou a campanha católica mundial do "Afogue o peixe e não o ganso".

- Umbanda

José Antônio, o Toluaye de Orossi garante que Oxum e Iemanjá mandaram os peixes em aviso ao excesso de shit na água e que Oxalá mandou os pássaros para exijir a diminuição da emissão de gases CÚtano.
Para apaziguar os orixás ele sugeriu uma grande reunião com banho de folha, sopa de galinha preta e o ritual do sentar na marafa grossa.

- Cientistas do MIT Harvard of Boston Technologies by Oxford Science and Sete Zeber

Um junta de PhD's em pássaros miopes e peixes afogados juntou evidências e publicou as seguintes hipóteses:

- congestão por alpiste mofado;
- afogamento por excesso de água líquida molhada;
- suicídio coletivo incentivado por alguma ceita religiosa pisciavícola ligado à al quaeda;
- alinhamento geoespacial de Gleise 581g, com Próxima Centauri e a Terra;
- associação de todas as causas anteriores;
- nenhuma das causas anteriores.






quarta-feira, 28 de abril de 2010

Hipertensão e hipotesão

Nosso excelentíssimo ministro recomendou o sexo como anti-hipertensivo.
Uma asneira, apesar de ter sido bom que o assunto tenha sido colocado em pauta.

Muito mais do que um remédio, o sexo é um indicador.

Uma nova pesquisa foi publicada a respeito da hipertensão e apontava um aumento percentual maior entre as mulheres do que entre os homens. Uma "especialista" concluiu que era devido à maior longevidade feminina!

Que espécie de anta deduz isso?
As mulheres sempre tiveram uma longevidade maior. É coincidência que com o aumento de sua participação nessa sociedade competitiva é que houve praticamente uma equiparação ao número de homens hipertensos?

Por que parece que existe uma lei que impede a conclusão de que o trabalho (esse sistema doentio de acúmulo de bens e status) é que faz mal?

Como essas criaturas assexuadas, que vagam por essas corporações que mais parecem um filme de ficção científica, podem ter algum prazer, seja ele qual for?
Quem depois de ficar 10 horas dentro de um lugar desses (acompanhado de clones de si mesmo) e tendo ficado mais 3 horas no trajeto pode ter alguma espécie de vida sexual?

Uma amiga minha, imersa nesse balaio, disse que gostava de dinheiro.
A afirmação é tão sem sentido que eu sequer comentei.
Por mais que eu imagine que ela quis dizer que seria o que o dinheiro poderia comprar, ainda assim permance uma afirmação das mais doentias que eu já ouvi.

Nossos vilões da vez: hipertensão, stress, colesterol e agora, graças ao senhor ministro, a falta de sexo. 

O que os causa não importa.
Acho que vida merda não pode ser mensurada pela ciência.