quarta-feira, 27 de abril de 2011

Nada muda... ou a mudança é insignificante

Recentemente me disseram que eu iria adorar fazer filosofia por causa de uma conversa sobre valores, religião e outras coisas.
Isso novamente me fez pensar sobre minha desistência da faculdade e minha falta de vontade em retomá-la.

Ouvir a afirmativa da "invasão da ciência na metafísica"  me confirmou que filosofia não seria o retorno.
Apesar de gostar muito de filosofia, acho que ela também parou no sécuo XIX assim como a "ciência" que ela crítica. Ou antes.
O ar (éter) também era domínio da metafísica.

Mas na discussão, a criticada "ciência" também foi um dos motivos para minha perda de ânimo na graduação, já que essa não é a verdadeira ciência contemporânea. A da graduação é técnica, instrumental e burocrática.

A filosofia é ótima como crítica do pensar, da discussão sobre referências e valores, e tudo que permeia o universo humano, mas a ciência hoje, por motivos óbvios, não cabe apenas na "solidez" do senso comum humano.
Conclui-se facilmente que é um equívoco abissal designar médicos, "físicos de materiais", engenheiros ou biólogos técnicistas de "cientistas".

Mas se retornasse um dia a estudar (formalmente digo), realmente seria por algo burocrático ou para tentar a física novamente, pois é muito mais fácil ser um físico que gosta e utiliza a filosofia do que o contrário.

Nem perco meu tempo em discutir afirmativas da origem da física na filosofia. Uma balela.
Em tempos onde o conhecimento era infinitamente menor, é óbvio que apenas poderia existir a filosofia, e numa discussão sem fim e inútil, os chineses  muito antes da filosofia antiga poderiam ter inventado a física, ou algum Neanderthal que intuísse que tudo é feito de "coisas muito pequenas" também.

Mas não existem cursos assim, livres e realmente multidisciplinares.
Certa vez, há muitos anos, a USP tentou. Mas o bando de rebeldes sem causa dos centro acadêmicos não tem tempo para discutir conhecimento, já que suas preocupações únicas são o preço do bandejão, a privatização do ensino e as greves. Nesse caso a evolução foi nula.

Por outro lado admito que minha capacidade intelectual não seria suficiente para ser um cientista de verdade.
Nada de psicologismo barato ou choraminholas. É apenas a realidade. 
Aliás, o que diminui tremendamente a minha culpa.

O fato de ter nascido e viver sem propósito e sem sentido só me faz crer que me enquadro perfeitamente nesse universo: hostil, frio, sem sentido e sem propósito.