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terça-feira, 10 de junho de 2014

Pequeno infante

Ter ou não ter filhos é uma escolha pessoal. Isso é óbvio.
Tenho vários amigos que os tem e outros não.

Como ultrapassei a barreira dos 40 e vários amigos meus estão nesta faixa, considero que até conheço bastante gente que não tem filhos se comparado a estatísticas típicas de países subdesenvolvidos (vamos ser claros, "em desenvolvimento" é eufemismo).

Eu e minha esposa sempre tivemos essa posição clara e absolutamente concreta: procriar nem a pau.
É claro que sempre aparecem os 'psicologismos' do tipo teve uma infância ruim ou sofreu quando era criança, etc, ou ainda, as dúvidas veladas sobre fertilidade.

Enfim, opções à parte, o interessante é o desenrolar da vida desse modo, e analisar o desdobramento da coisa.

A primeira coisa que ocorre é que as amizades passam a mudar de faixa etária. Seu círculo passa a ser de pessoas mais novas, que geralmente não tem filhos.
Os amigos 'descriançados' claro permanecem.

O motivo é mais ou menos óbvio. Em geral (portanto não estou dizendo todas as pessoas, mas sim a maioria), as crianças monopolizam a atenção e os pais se deixam levar por essa ditadura, e o pior ainda, é que os assuntos se limitam ao universo infantil, diga-se de passagem extremamente desinteressante.

Claro, existem as exceções onde os pais sabem que a criança deve ouvir não e portanto ou tem seu chiqueiro separado do convívio de quem não tem nenhuma simpatia por ficar ouvindo grunhidos, choros, gritos, má dicção, nenhuma ou pífia contribuição útil à conversa e não quer nada seu quebrado ou fuçado por ninguém seja de que tamanho for.

Muitos pais interpretam o 'não gostar de criança' com o 'não gostar do seu filho', ou seja, uma coisa pessoal, e aí a coisa desanda por completo.

Num pais cheio de tolerância ao mal comportamento infantil é normal essa confusão.
Mas uma criança que não sabe se frustrar fatalmente vai virar um adulto problemático no mínimo, ou violento no pior dos casos.
Na Alemanha, por exemplo, existem muitos hotéis que não aceitam crianças.

Aqui no Brasil eu fui numa pousada em Ilha Bela que não aceita menores de 12 anos.
Os proprietários tem filhos, mas reconhecem que crianças enchem o saco de quem não gosta e costumam causar severas perdas materiais (os merdinhas estão sempre quebrando algo) e ecológicas (os merdinhas estão sempre atazanando algum bicho).

Aliás, não gostar de criança não deveria ser visto como algo tão estranho e pecaminoso.
Gostamos de alguns adultos e outros não. O mesmo seria válido para crianças se não fosse o agravante da falta de educação (óbvio, pouco tempo para a absorção de informação e elaboração de uma cultura) e seu fatal desdobramento: sadismo, inoportunismo e outros comportamentos antissociais.

Outra face curiosa é observar como a procriação é escolhida.
Quem não tem filhos tem uma posição racional e concreta sobre a opção, já quem tem filhos muitas vezes foi o tal do "se acontecer tudo bem".

As opções são de acordo com a suas prioridades e filosofias de vida. Cada cabeça uma sentença, mas sinceramente, existem mais razões para não ter filhos do que tê-los, então se você é jovem e pretende seguir os "trilhos sociais" (casar, ter filhos, seguir uma carreira tradicional e todos esses dogmas) se pergunte porque tê-los e não o oposto.
Lembre-se que 'gostar' não é argumento válido, já que se refere a colocar um ser humano no mundo e não comprar uma boneca. A partir daí, faça sua escolha.

Qualquer ser humano racional sabe que a curto prazo o mundo está se tornando um local cada vez mais insalubre.



segunda-feira, 24 de maio de 2010

Brás Cubas e o síndico


Eu não sei como fui aceitar uma roubada dessas, mas sou síndico do meu prédio.
Nem sequer gosto de morar em prédio, mas tive um breve momento de ideologia barata (e falta de grana) quando resolvi encarar a aventura de morar num prédio e ainda por cima aceitar ser síndico. A ideologia barata foi a de achar que numa comunidade menor, as relações sociais pudessem ser diferentes, aquela coisa de solidariedade, objetivos comuns, ética, etc.

Piada. Em poucos meses vi que é bem pior (do que uma casa).
Agora não sobrou nada. Nenhuma vantagem de morar num "apErtamento". E sinceramente, se tivesse 1000m2 seria apenas menos pior.
Segurança é ilusão, e comprar um terreno virtual, ou um espaço aéreo, é algo muito esquisito para mim.
Dormir cabeça a cabeça com um estranho é bizarro.
Ter um local que só cabe o saco (por isso chamam sacada) é ridículo.

Mas por ser uma amostra pura e simples da sociedade, tem lá as suas curiosidades antropológicas.

Tive um déjà-vu (déjà-vu de post: será que existe isso?) há alguns dias quando uma senhora veio com uma reclamação sobre uns meninos que abriam a porta do elevador e a assustavam propositalmente. Ela me disse ainda que ao ralhar com eles e perguntar "se eles não tinham educação", que os mesmos responderam que não.

Fui conversar com o pai amistosamente. O mesmo perguntou "se a mulher não teve  infância?".
No citado post, havia algo sobre a educação sem limites e sem 'nãos' (à prova de frustrações).
Aí está mais um resultado da mesma.

Crianças são criaturas sádicas e amorais, um "meio-humano".  Por "increça que parível" isso faz parte da babaquice do "ingênua e pura".
Se a moralidade, ética e os limites são adquiridos através da educação isso é evidente.

O bullying, tão comentado atualmente, é outra faceta dessa (falta) de educação.

Na minha infância e adolescência, lá pelas décadas de 70 e 80, nos estapeávamos e nos esculachávamos. Os mesmos que batiam uma hora seriam "vítimas". As "vítimas" aprendiam a se defender. Parecia haver uma ética implícita, um limite. Bom, cá estamos, vivos e sem grandes traumas.

Atualmente a molecada não tem limites e quando "vítimas" não sabem se defender.

Essas criaturas amorais, mal formadas, podem virar os sujeitos que queimam mendigos, espancam prostitutas, batem nos professores e até mesmo matam os pais.

Na melhor das hipóteses, são os párias medíocres de hoje em dia, hipócritas, consumistas e  individualistas. Serão nossos futuros médicos, juízes e professores. Decidirão os destinos de muita gente.

Por estátistica, dentro de 2 ou 3 décadas já estarei herdando o meu terreno de direito.
Tenho pena de quem fica, os filhos de alguns bons amigos.

O síndico de Machado de Assis também falaria: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.".

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O social, as banalidades e as catástrofes

Domingo fomos visitar um casal de amigos que tem um filho de uns 2 ou 3 anos (nunca lembro a idade dessas coisas).
Como de praxe, eles acham que a criança é de açúcar e não pode sair de casa ou não querem incomodar ninguém (o que seria uma benção), por isso sempre marcam coisas em suas próprias casas.

Tenho casais de amigos com filhos e sem filhos e, para minha felicidade e a do mundo, o número dos "sem" está aumentando.
Invariavelmente, dos "com" ouço a mesma idiotice: "O Coisa não gosta de criança".

Não sei que espécie de estúpido é capaz de dizer algo desse naipe. Devolvo sempre com uma "contrapergunta": "Você gosta de adulto?".
Em geral a resposta é uma pausa. A maioria das pessoas que fazem uma afirmação idiota tem a capacidade cerebral deficitária e requer grande delay no processamento das informações.

Pois é, crianças ou adultos são indivíduos. Você pode gostar de uns e de outros não.
Admito que a grande maioria dessas coisas sub-humanas não me agradam muito. Elas se cagam, se mijam, vomitam, babam, tem um cabeção, gritam, choram, não tem o mínimo de dicção e são sádicas.

Mas a parte lamentável que quero enfatizar é a da perpetuação do padrão de comportamento masculino, diga-se de passagem, uma responsabilidade feminina.
Eu sempre disse (em outros posts escrevi sobre isso) que as mulheres é detém o controle e o poder da escolha.

Nós, os panacas, ficamos com a ilusão da força e do poder, pelo simples fato de nos ser permitido a ação.

Dentre n banalidades e lugares comuns, vou resumir com um exemplo como as fêmeas não sabem usar o poder que tem.
A esposa do meu amigo se queixou de que ele não ajuda muito em casa. Algo bem original e inédito, não?
Eu o conheço bem. Educação tradicional. Mamãe fazia tudo, saiu de casa direto pro casamento, ou seja, nunca morou sozinho (bato sempre nessa tecla), etc.

E lá estava ela a criar mais um monstrinho no mundo.
Mimado, sem ouvir um não e, já de cara, sem aprender o que a vida martelará na sua cabeça: uma sucessão de 'nãos' e frustrações. E isso é a vida.

Uma fêmea perpetuando a desgraça para as próximas.