segunda-feira, 24 de maio de 2010

Brás Cubas e o síndico


Eu não sei como fui aceitar uma roubada dessas, mas sou síndico do meu prédio.
Nem sequer gosto de morar em prédio, mas tive um breve momento de ideologia barata (e falta de grana) quando resolvi encarar a aventura de morar num prédio e ainda por cima aceitar ser síndico. A ideologia barata foi a de achar que numa comunidade menor, as relações sociais pudessem ser diferentes, aquela coisa de solidariedade, objetivos comuns, ética, etc.

Piada. Em poucos meses vi que é bem pior (do que uma casa).
Agora não sobrou nada. Nenhuma vantagem de morar num "apErtamento". E sinceramente, se tivesse 1000m2 seria apenas menos pior.
Segurança é ilusão, e comprar um terreno virtual, ou um espaço aéreo, é algo muito esquisito para mim.
Dormir cabeça a cabeça com um estranho é bizarro.
Ter um local que só cabe o saco (por isso chamam sacada) é ridículo.

Mas por ser uma amostra pura e simples da sociedade, tem lá as suas curiosidades antropológicas.

Tive um déjà-vu (déjà-vu de post: será que existe isso?) há alguns dias quando uma senhora veio com uma reclamação sobre uns meninos que abriam a porta do elevador e a assustavam propositalmente. Ela me disse ainda que ao ralhar com eles e perguntar "se eles não tinham educação", que os mesmos responderam que não.

Fui conversar com o pai amistosamente. O mesmo perguntou "se a mulher não teve  infância?".
No citado post, havia algo sobre a educação sem limites e sem 'nãos' (à prova de frustrações).
Aí está mais um resultado da mesma.

Crianças são criaturas sádicas e amorais, um "meio-humano".  Por "increça que parível" isso faz parte da babaquice do "ingênua e pura".
Se a moralidade, ética e os limites são adquiridos através da educação isso é evidente.

O bullying, tão comentado atualmente, é outra faceta dessa (falta) de educação.

Na minha infância e adolescência, lá pelas décadas de 70 e 80, nos estapeávamos e nos esculachávamos. Os mesmos que batiam uma hora seriam "vítimas". As "vítimas" aprendiam a se defender. Parecia haver uma ética implícita, um limite. Bom, cá estamos, vivos e sem grandes traumas.

Atualmente a molecada não tem limites e quando "vítimas" não sabem se defender.

Essas criaturas amorais, mal formadas, podem virar os sujeitos que queimam mendigos, espancam prostitutas, batem nos professores e até mesmo matam os pais.

Na melhor das hipóteses, são os párias medíocres de hoje em dia, hipócritas, consumistas e  individualistas. Serão nossos futuros médicos, juízes e professores. Decidirão os destinos de muita gente.

Por estátistica, dentro de 2 ou 3 décadas já estarei herdando o meu terreno de direito.
Tenho pena de quem fica, os filhos de alguns bons amigos.

O síndico de Machado de Assis também falaria: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.".