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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Negacionistas, tá na hora de estudar... ou resistir à corrupção

Negacionista é a expressão utilizada para denominar as pessoas que negam o aquecimento global ou que negam que ele seja causado preponderantemente por ações humanas.

Já havia lido várias teses de cientistas sérios (aqui deve-se entender aqueles com pesquisas não financiadas direta ou indiretamente por corporações ou grupos "independentes" como os think thanks norte americanos) sobre a brutal similaridade da elevação da temperatura média do planeta e da elevação da queima de combustíveis fosseis e outras atividades geradoras de CO2, mas com gráficos fica mais fácil de ver.




Pra quem gostar de ler (coisa rara na atualidade) tem um 'ensaio' muito interessante sob a ótica sócio-econômica dos nossos tempos de catástrofe ambiental e barbárie econômica da Isabelle Stengers (química e filosofa da ciência - que, entre outras coisas, escreveu dois livros com ninguém menos que Ilya Prigogine) chamado "No tempo das catástrofes - Resistir à barbárie que se aproxima".

Outro interessante mais ou menos sobre essa temática - porém mais focado na nossa sociedade economicista - é o "Vivendo no fim dos tempos" do Slavoj Žižek (um dos maiores pensadores da atualidade).

Ish, já estou extrapolando nas divagações... melhor parar por aqui.




PS: poupem-me de Ricardo Feliciano. Vão direto à fonte. O IFUSP e o IAG são abertos à sociedade (http://www.iag.usp.br/pos/geral/portugues/corpo-docente). Pouco provável de alguém encontrar algum mestre ou doutor que negue a quase hegemônica influência humana no aquecimento global. Em tempo: salário de professores titulares não são alterados pelas suas opiniões, nem sequer a de bolsistas (desde que dentro da legalidade e da moralidade), além do mais, é do interesse econômico corporativo que se negue os problemas ambientais e não o contrário.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O mar, quando quebra na praia

Dorival Caymmi se estivesse vivo teria morrido de desgosto.
Será que por isso morreu?

Desde que me mudei pra praia me perguntam por que continuo branco, digo, não bronzeado.

Antes de mais nada esclareço que adoro o mar.
Sempre gostei e o achei lindo. Sou mergulhador avançado pela PADI também.

O problema é que não curto muito o sol e justamente por morar na praia acabei desenvolvendo certo nojo do mar.

Passear a pé pelas calçadas imundas e as belas casas com seus respeitáveis moradores varrendo excrementos e urina de cachorro quintal a fora me fez desenvolver essa "fobia".

Como é sabido, as águas pluviais vão sarjeta à baixo e a minha rua dá diretamente na praia.
É óbvio que em outras cidades o sistema é o mesmo, exceto que vai para algum córrego, rio e por fim, pro mar, mas aqui me deu essa visão brutal, nua e crua da coisa.


Sempre achei absurdo o jeito do brasileiro em lidar com a coisa pública, no caso aqui me referindo ao espaço público em geral. Essa coisa abominável de o que é público é de todos porém não é de ninguém.
Países evoluídos como o Japão por exemplo, justamente porque é de todos que merece cuidado de todos, e ainda que eu não possa usar para meu uso privativo, cabe-me a decência de zelar por ele.

Notem que nem precisei entrar na lenga-lenga do "ecodiscurso".
Certa dose de moral já seria o suficiente para evitar esse descalabro.

Curiosamente muitos (para não dizer a maioria) dos moradores daqui não vão muito à praia e olha que ela nem é (muito) poluída ou com (muito) lixo na areia.
Acho que mesmo dentre os boçais que acham que "a rua é pública" (e o mar também) ficou um ranço pelas próprias atitudes.

Enfim, o 'esgoto do mundo' ocupa a maior parte da superfície terrestre, e suas criaturas e sua biodinâmica foi o que nos permitiram e ainda nos permitem existir.

Mas como disse o Agente Smith, nós somos uma praga e é esse legado "respeitoso" que deixamos para as outras espécies e para os nossos semelhantes. 





sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Grupos? Que grupos?

E cá estou eu na tentativa de formar um grupo coeso e de bom caráter para, quem sabe, criar uma ecovila (ou seja lá o nome que queiram dar a isso).
Na verdade está sendo bastante frustrante.
Minha tranquilidade reside no fato de que, apesar de indesejável, posso fazer meu instituto de preservação e vida alternativa sozinho, aliás, está ultima parte já está bastante sólida há uns anos...

Entre as pessoas “do meio” que converso a maioria com algum grupo em formação ou já formado são de pessoas conhecidas entre si: amigos, parentes, colegas de classe, etc.
As pessoas que estão na luta de formar um grupo “entre desconhecidos” parece que estão sempre atoladas. Um grupo do Rio está com 8 pessoas há uns 2 anos apesar de ter tido mais de 1000 no facebook (blergh!).
No meu grupo do facebook (blergh!) já passaram quase 500 pessoas e apesar de uma meia dúzia ter tido a coragem de se conhecer pessoalmente, nem sei se esses de fato encaram tal empreitada.
Até uma simples pesquisa no grupo retorna meia dúzia de interações. Bem alertava Guy Debord...

Quase ninguém quer sair da zona de conforto e se expor ao outro como seres sociais deveriam fazer, e os que participam de “grupos de conhecidos” se expõem (em parte) porque sabem que praticamente não haverá conflitos, coisa que provoca pesadelos na maioria esmagadora.
Uma educação deficitária e a ideologia vigente os tornaram impermeáveis à discussão sadia, ao embate de ideias e a tolerância à frustração e crítica.

É a geração do “ativismo digital da bunda na cadeira”, do discurso em dissonância da prática da vida, da tolerância de araque e do falso incentivo à diferença.
Isso me faz lembrar minha juventude e meus amigos “engajados” e “ativistas crônicos”. Todos (não generalizando injustamente, todos mesmo!) viraram protótipos de mauricinhos pai de família, com carreira certinha, esposinha, filhinhos, patrimônio, tranqueiras tecnológicas, discurso moralista puritano, etc.
São esses mesmos, pasmem, que participaram do “Diretas já”, manifestações pró democracia e legalização de partidos, “fora Collor”, “salvem as baleias”, Greenpeace, blábláblá....

A ideologia do capital fez um estrago enorme. O capitalismo fundamentalista tem essa capacidade incrível de sequestrar vidas numa síndrome de Estocolmo premeditada.
Estando ela como estado e fatalmente como órgão de educação parece que teremos um longo e tenebroso caminho para alternativas sociais mais justas e igualitárias.




“Vida alternativa. Alter vida. Outra vida. Isto não só é possível como é a única e gigantesca tarefa deixada para as pessoas que não aceitam a realidade como ela é e caem no mundo na esperança de modificá-la”. (GABEIRA, 1985, p. 85)

“Nesses debates, vimos que adotar um caminho alternativo e solidário pode ser muito mais difícil e conflituoso do que seguir a maneira habitual de ação. Solidário e conflituoso não sendo, portanto, conceitos opostos, pois saber lidar com o conflito de forma respeitosa e acolhedora é o que faz um caminho solidário – e não a supressão do conflito.” (Richard Sennett)

“Podemos afirmar, assim, que ecovila Andorinha se apresenta como um movimento de resistência e, ao mesmo tempo, de proposição de uma cultura alternativa por meio da construção de novos valores e novas formas de ação, novas sensibilidades e novos questionamentos morais. Moralidade entendida aqui não como regras instituídas de conduta, mas como respostas singulares às perguntas: Como devemos viver? e O que é uma ‘boa vida’?. Encontramo-nos aqui, portanto, com sujeitos-criadores cujas práticas demonstram as inúmeras possibilidades de vida que podemos criar. Quando adotamos uma atitude aberta e desarmada, o encontro com esses sujeitos pode nos fazer repensar nossas opiniões e atitudes, e a revisitar nossos valores e intuições.

A busca de um caminho alternativo apresenta inúmeros desafios para os caminhantes: a dificuldade em romper com o trabalho e outras instituições citadinas; assumir os trabalhos coletivos voluntários com maior responsabilidade e assiduidade; saber acolher as diferenças; negociar o que o grupo tem em comum; abandonar hábitos internalizados por uma cultura extremamente hierarquizada;
aprender a dialogar com indivíduos que não compartilham dos mesmos valores éticos e estéticos, provenientes de experiências e classes sociais diferentes; erradicar a distinção entre trabalho (e trabalhador) intelectual e braçal; canalizar seu potencial transformador em ações políticas; etc. Pois todas essas mudanças exigem a construção de novas capacidades culturais e novos hábitos corporais, processo que demanda tempo e um trabalho de atenção. Tomar consciência desses desafios, discuti-los e problematizá-los em conjunto deve ser o primeiro passo para a sua superação.

A resistência oferecida pelos ecovilenses estudados não significa, por conseguinte, uma ruptura total com a cultura dominante, nem mesmo um extremismo ideológico. Trata-se de uma resistência gestada no cotidiano, nas pequenas coisas, em seu próprio ritmo. São artistas, portanto, e não engenheiros, como ressalta Jasper, que desconfia dos sistemas ideológicos que buscam reduzir a complexidade do mundo ao oferecer uma resposta unificada e ao exigir uma brusca ‘conversão’. A mudança cultural proposta pelos ecovilenses, ao contrário, se mostra gradual e singular, num processo que é único para cada indivíduo. Uma mudança entendida como um processo contínuo de busca, sem ponto de chegada, sempre em curso, sempre em movimento – exatamente como Alfredo Bosi entende o termo cultura: trabalho, processo, movimento.

De qualquer forma, ao embarcarem nesse movimento de busca, nessa reinvenção do mundo que passa pela reinvenção de si mesmos, os ecovilenses estão realizando o potencial de liberdade que os seres humanos realmente possuem: a capacidade de criar, de moldar poeticamente suas vidas. Movimento de busca que, quando efetuado em comunhão, tem mais chances de se corporificar e de transbordar para além da esfera daquela comunidade, tanto espacialmente – servindo de modelo e inspiração para outras pessoas de fora da comunidade – como temporalmente – servindo como referência de vida para as futuras gerações.” (REBECA ROYSEN – 2013)

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Vegetarianismo e veganismo. Vamos ser racionais?

Vou começar pedindo calma e racionalidade.
Meditemos, tomemos chá de erva cidreira e entoemos mantras.

Iniciarei com algo que me parece um consenso. Uma espécie de cachimbo da paz.
O agente Smith (lá do Matrix) disse a célebre frase: "You are a virus".
Diferente do que pensam as mães classe média ocidentais, parimos (as mulheres obviamente) facilmente e somos muito resistentes. Os mais de 7 bilhões de humanos são a prova disso.

Somos a única espécie viva que altera o próprio caminho da evolução biológica e altera drasticamente o equilíbrio do seu meio ambiente, portanto, direta ou indiretamente, matamos, destruímos e pilhamos. O Dalai Lama inclusive.
O "santo ecológico" seria um suicida sem filhos, já que procriar aumenta exponencialmente seu impacto ambiental.

Bom, acho que concordamos a grosso modo nessa primeira parte.

Agora vamos ao assunto principal. É agora que a aumenta a tensão.

Comer carne faz mal e/ou seu consumo reduz expectativa e/ou qualidade de vida.
Não há evidência nenhuma que sustente isso, nem sequer do ponto de vista da biologia evolutiva.
O inuits comem quase exclusivamente gordura de foca e não tem hipertensão nem diabetes e nosso aparelho digestivo é tipicamente um sistema de processar tudo. Veja nosso intestino por exemplo, nem tão curto como de um carnívoro nem tão extenso quanto de um herbívoro.

Bom, essa segunda parte gera pequenas discussões, mas somente entre uma minoria mais tosca.

Agora na terceira parte o bicho pega!

Meus amigos veganos alegam que não matam animais para se alimentar.
Muito nobre, porém de boas intenções o inferno... chavão admito, mas...

Simploriamente (ah o reducionismo) afirmamos que se algo vivo não tem um sistema nervoso similar ao nosso ele não sofre.
De cara já pegamos dois problemas nessa abordagem: a afirmação do sistema nervoso em si e a concepção de sofrimento.

Pesquisas recentes indicam que as plantas sentem cheiro, armam emboscadas, atacam, se retraem sob ameaça e uma série de ações que no mínimo são perturbadoras e remetem fortemente a questionamentos, os mesmos que citei no parágrafo anterior que nem sequer requeriam pesquisas, mas que a luz da modernidade ficam mais evidentes.

Outro fator é o impacto indireto de uma alimentação extensivamente vegetal no bioma regional ou não. Como se garante que isso não mata indiretamente talvez em mesma proporção? Não existem dados de longo prazo a esse respeito.
Portanto, o discurso de que "não como carne porque sou bonzinho" é ingenuidade ou, novamente, hipocrisia.

A questão do que é o "sofrimento" para os veganos é de uma simplicidade na estrutura de pensamento brutal. A tal da senciência é uma visão simplória e antropocêntrica a cerca dessa e de outros detalhes a cerca da consciência.

Certa vez um vegano acabou chegando há algo como "é que estatisticamente parece que as plantas não sofrem"... 
Uma vez demonstrada que sua fé estruturada no pensamento de que somente seres vivos dotados de estrutura nervosa similar a nossa é que sofrem é completamente reducionista e principalmente arbitrária, o dogma parece ficar abalado.

Nem sequer necessita-se ir mais a fundo na abordagem filosófica a respeito do sofrimento. É extensa e desnecessária para a nossa discussão.

Fiz um levantamento de paridade calórica bastante superficial, mas que dá uma ideia da dimensão do problema. É uma brincadeira tosca, mas divertida.

Boi* (fonte holocaustoanimal.com/EMBRAPA) :

- 300Kg (peso médio) = 360.000cal (4 cal/g de proteína numa média de 30% de proteína por Kg de carne);
- ocupação média de 6 a 7 animais por hectare, ou seja, 1666m2 de terra cada;
- consumo de 16000l de água / Kg de carne produzida, ou seja, para os 300Kg são 4.800.000 litros de água.
* se fossem porcos ou frangos a ocupação de terra e uso de água seriam absurdamente menores
Alface (fonte EMBRAPA):

- 140g (peso médio) = 21cal;
- para a mesma quantidade calórica de um boi considerado (360.000cal) são necessários 17142 pés de alface;
- tomando por base a tradicional recomendação de 9 pés/m2 essa quantidade total usa 1900m2 de terra;
- sendo usados em média 32 litros de água/dia/m2, isso resulta em 60.942 litros de água/dia * 100 (dias para colher na média) = 6.094.200 litros de água.


Interessante não?

Mais uma vez me parece aquele sistema hipócrita de separar as latinhas (o que é fácil) na reciclagem e usar fraldas descartáveis na cria (mais difícil e infinitamente mais problemático ao ambiente) ou então de defender as ciclovias e estar sempre de carrinho novo e celular último tipo.
 
A cadeia produtiva é que realmente impacta o ambiente. É a busca frenética pelo lucro que gera frangos confinados com luz 24 horas por dia, bois massacrados e cheios de hormônio, gansos torturados em busca de um bom foie gras, lagos de resíduos tóxicos que dizimam ecossistemas inteiros, etc, etc, etc.

Devemos sim discutir a ética no trato dos animais, evitar sofrimentos abusivos e desnecessários e, claro, consumo excessivo de carne (parte essencial do sistema capitalista).

Mas retornando ao início, somos uma espécie que mata, destrói e pilha, mas que também pode ter solidariedade, compaixão e ética. Devemos tentar reduzir nosso impacto ao mínimo
sem esquecer quem somos e nos desviando de discursos simplórios e hipócritas.


Respeito meus amigos veganos/vegetarianos da mesma maneira que respeito quem gosta ou não de jiló, mas aceitar uma opção não significa admitir que alguma preferência seja a detentora da moralidade, da justiça e da verdade.

Não basta discursos cheios de boas intenções porém vazios.
Somos o Dr Jekyll e o Mr Hyde ao mesmo tempo.
Somos todos pecadores, porém a hipocrisia é o pior dos pecados.


http://gizmodo.uol.com.br/este-lago-acumula-todo-o-lixo-que-nossa-necessidade-por-gadgets-produz/

Ainda que filosoficamente podemos questionar tudo, algumas referências para tal:

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-inteligencia-das-plantas-revelada/
http://pijamasurf.com/2014/10/malas-noticias-para-los-vegetarianos-las-plantas-sienten-cuando-se-las-estan-comiendo-video/ 
http://revistagloborural.globo.com/Colunas/planeta-bicho/noticia/2014/07/plantas-ouvem-quando-estao-sendo-comidas.html
http://www.ndig.com.br/item/2014/10/ms-notcias-para-os-vegetarianos-as-plantas-sentem-quando-esto-sendo-comidas  
http://portugalmundial.com/2015/03/plantas-tem-memoria-sentem-dor-e-sao-inteligentes/#
http://www.altosestudos.com.br/?p=52568







terça-feira, 12 de maio de 2015

Representatividade e alternativas de vida - Parte III (Final)

No primeiro post desta série eu citei um exemplo da falta de representatividade crônica que vivemos, ou seja, se a decisão e o poder não emanam do povo, o ato mecânico de votar pouco faz para que nossa suposta democracia difira de uma ditadura qualquer.

Se associarmos isso à individualidade, competitividade, falta de qualidade de vida e completa falta de racionalidade no uso dos recursos naturais pelo modelo sócio-econômico vigente, o crescimento do movimento das ecovilas descritos no post anterior não é surpresa.

Pessoas que param de correr atrás do próprio rabo, reavaliam suas reais necessidades, refletem sobre seus valores pessoais e praticamente viram as costas à sociedade. Uma espécie de desobediência civil pacífica.

O processo histórico e a análise dos motivos de como chegamos a este modelo de organização social não cabe aqui (tanto foge aos objetivos como seria por demais simplório uma única postagem pretender realizar esse feito), mas de qualquer modo, ao que parece, muitas pessoas se cansaram de estudar os porque's e de lutar por alguma mudança (no sentido "panfletarista" da coisa e do voto que tem valor nulo dada a perda de representatividade já exposta).

Neste último post sobre esses assuntos quero apenas pontuar algo sobre o idílico e o possível.

A maioria das ecovilas (na sua real definição, ou seja, a de comunidades auto sustentáveis - ou quase) são organizadas por jovens, porém não é incomum encontrar pessoas de meia idade e até idosos.

Uma boa referência no planejamento de ecovilas está aqui.

Os jovens tem a característica da urgência, da pressa e do enorme idealismo.
As ecovilas bem sucedidas equilibram a urgência com o planejamento, e o idealismo com o pragmatismo e à realidade da complexidade humana.

Somos criaturas passionais, com uma confusa mistura de paixão, ódio, alegria e tristeza, com uma carga cultural majoritariamente feita nesta sociedade a que eles tanto repudiam e portanto, cujas influencias não podem nem devem ser ignoradas.

Como bem lembrou o historiador Leandro Karnal, se meditar garantisse a paz e o equilíbrio não teríamos as atrocidades que os países de ascendência budista demonstraram em sua história (recentemente vimos os monges tibetanos reagindo violentamente a ordem chinesa), e que a vida rural, como mostra a história, não é garantia de uma vida idílica e bucólica.

Estar atento as nossas características garante que diferenças não sejam ignoradas e que conflitos possam, ao menos em parte, serem prevenidos e os que aparecerem (sempre existem e fazem parte de um grupo auto gerido) resolvidos com cordialidade e discussão civilizada.
Partindo dessa realidade, criar um conjunto de regras que não pré suponham a bondade, a justiça e a cooperação humana como algo "natural" (estamos sempre pendulando entre Hobbes e Rousseau). Se essas virtudes acontecerem sem a aplicação do estatuto melhor, mas em caso contrário, as regras estarão explicitamente descritas e pactuadas.

Aliás, falando em "natural", deve-se estar atento ao que designamos de "natureza".
A natureza variou ao logo da existência do planeta e ela nunca foi "boa" ou "má" para nós ou outros animais, ela apenas existiu dinamicamente a despeito da existência ou não de vida qualquer que seja ela.

Sendo assim, a natureza que defendemos é a que estrategicamente nos é útil e na qual  queremos minimizar nosso impacto por razões bastante mesquinhas (deixemos de lado a hipocrisia). A extinção dos dinossauros, por exemplo, foi uma maravilha para nós (e a maioria dos mamíferos). 

Uma vida "natural" poderia ser aquela em que a expectativa de vida era de 25 anos, ou na qual morríamos de cólera, ou ainda, na qual um leão nos comesse, portanto, queremos o "natural" mas nem tanto.

Assumir a postura de defender a natureza que nos é interessante (deixando de lado discursos hipócritas e polianas), deixando claro a importância e a urgência dessas ações, pois para a natureza a nossa existência não é relevante. Quem precisa dela somos nós e não o contrário. Aliás, pelas evidências, ela "nos quer mortos". Resumindo, da forma com que conhecemos ou não, a natureza existirá a despeito da nossa existência.

Tendo essa clareza já se percebe que uma área de agricultura e criação que contemple todo o desejo humano, mesmo que simplificando o modo de vida, é bastante difícil ou pouco plausível.
O mais viável é ter como objetivo uma minimização na dependência externa e uma redução drástica de custos de vida, o que já gera boa segurança e independência, além de tornar opcional a aquisição de áreas muito extensas.
Cultivar e criar alguns "elementos chave" e dar margem a iniciativas econômicas, ainda que no contexto da ética e da responsabilidade social e ambiental.

O respeito ao momento privado é imprescindível, devendo haver equilíbrio entre a vida comunal sadia e a necessidade humana de momentos de privacidade e solidão.
O mesmo respeito se aplica a seus credos religiosos, sua vida sexual e suas preferências alimentares, pois não existe nem de longe consenso muito menos alguma verdade absoluta nesses temas, apesar de, convenhamos, algumas afirmações sem nenhuma condição de plausibilidade sejam discursadas aos sete ventos. De qualquer modo essas maluquices estão no direito privado de qualquer um.


Resumindo, o movimento das ecovilas é muito válido e repleto de qualidades e virtudes, mas negar completamente as características humanas e várias conquistas civilizatórias é uma insanidade.
O fundamental é o movimento de alternativa de vida proposta por elas, onde tecnologia, ética e humanismo devem ser o objetivo e o meio, ao contrário do lucro a qualquer custo e ao acúmulo doentio vigentes no sistema atual.

Já existindo aos milhares pelo mundo, elas são um movimento de resistência e oposição silenciosa, porém, são mais agressivas não dizendo nada, virando as costas ao invés de fazendo passeatas. Mas a contracultura já tem mais de 40 anos e achar que a juventude é o momento de ouro da vida e pode realizar tudo já faz "parte de uma época" e, saliento, que ignorar a complexidade humana e ter uma irracional (e hipócrita) visão da natureza torna essas iniciativas altamente passíveis de fracasso.



Algumas ecovilas/comunidades:

 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Representatividade e alternativas de vida - Parte II

Eu tinha um (pré-)conceito a respeito das ecovilas, ignorante no assunto achava que era algo meio hippie. Estudar é romper (ou não) com seus próprios preconceitos.

A ideia não é nova, mas na modernidade foi um movimento mais sólido a partir dos trabalhos da Gaia Trust na Dinamarca em 1987 por Ross e Hildur Jackson e com grande contribuição/parceria com Diane e Robert Gilman (Context institute).
O movimento foi tomando forma e mais pesquisadores foram se juntando para definir o que seria um formato básico de uma ecovila.
Em 1995 nasce a Global Ecovillage Network com 400 pessoas ao redor do mundo.

Esse movimento não é pontual ou centralizado.
Ele tem um marco principal, mas estava pipocando ao redor do mundo e esses agrupamentos foram se conhecendo (a internet teve papel fundamental nisso), trocando experiências e conhecimentos.

Resumindo, atualmente as ecovilas se baseiam nas ideias centrais desses agrupamentos, muitos dos quais contribuíram para gerar a Agenda 21 e Agenda Habitat.

Os objetivos básicos quanto ao habitat são (da compilação de Marcelo Bueno - IPEMA):

  • Oferecer a todos habitação adequada;
  • Aperfeiçoar o manejo dos assentamentos humanos;
  • Promover o planejamento e o manejo sustentável do uso da terra;
  • Promover a existência integrada de infra-estrutura ambiental: água, esgotamento sanitário, drenagem e manejo de resíduos sólidos;
  • Promover sistema sustentáveis de energia e transporte nos assentamentos humanos.Promover atividades sustentáveis na industria da construção;
  • Minimizar o máximo possível o impacto ambiental no local e fora dele. Quando compramos madeira, nem pensamos que estamos pagando para alguém ir cortar arvores na região amazônica, estamos contribuindo com o desmatamento de uma das mais importantes reservas naturais do planeta. A região sudeste do Brasil segundo uma pesquisa realizada em 1997 , consumiu mais madeira de lei que a França, Inglaterra e Estados Unidos juntos no mesmo ano, e representou o consumo de 85% a nível nacional; toda esta madeira veio da região amazônica;
  • Utilizar o máximo possível materiais que existe no próprio local da obra. No local da construção sempre temos material disponível, em alguns lugares teremos pedras, em outros madeira mas quase em todos teremos terra que é um material muito usado a milhares de anos na construção.
  • Utilizar o mínimo possível materiais industrializados, dar preferência a utilizar material reciclado. O material industrializado consome muita matéria prima da natureza para sua fabricação e desta fabricação se produz muita poluição, se utilizarmos o máximo possível material reciclado estaremos barateando nossa construção ao mesmo tempo que diminuímos nosso impacto ambiental.
  • Ser o máximo possível autossuficiente em energia , água e alimentos. Hoje já estamos sentindo que o fornecimento de energia esta entrando em colapso e com isto ficando mais caro, com a água vai acontecer o mesmo, nós temos que descentralizar nosso consumo e sermos o máximo possível auto suficientes em energia, água e alimentos. 
  • Reciclar o máximo possível os resíduos produzidos pela construção, águas servidas, e lixo produzido no nosso dia a dia.
Fácil notar que nada disso faz com que se more numa "caverna" sem saneamento básico, água encanada, luz elétrica e telefone/internet (algumas muito isoladas dependem de rádio) como pensaria o senso comum preconceituoso.

As moradias atuais que usam técnicas de arquitetura orgânica e bioconstrução são superiores a alvenaria tradicional no que se refere ao conforto térmico e acústico, além de equivalentes no que se refere a segurança e salubridade, apenas não tem a "cara certinha" que estamos acostumados.

Para cumprir com esses objetivos e alterar a dinâmica social da comunidade (do modelo individualista e competitivo para o modelo colaborativo e solidário), alguns pontos principais são comuns a todas as ecovilas:

  • Ter um número próximo entre 30 a 60 pessoas (importante para concluir todas as tarefas do espectro humano no contexto da comunidade);
  • Haver ligação afetiva entre as pessoas (processo que pode ser construído ao logo do planejamento);
  • Comunhão de pensamento no que se refere ao bem comum e à coletividade (o que não impossibilita a vivência e o espaço privado);
  • Tolerância com as diferenças e prioridade na solução de conflitos;
  • Democracia direta total (o que não impede a adoção de lideranças temporárias);
  • Disposição para trabalhos manuais (lembrando que brasileiros típicos tem enorme preconceito a trabalhos "braçais");
  • Manutenção e recuperação de áreas de mata nativa, muitas vezes incluindo uma RPPN (Reserva Particular de Patrimônio Natural);
  • Área de agricultura (sempre dentro do conceito da permacultura);
  • Área de atividades comunitárias (sociais, culturais e práticas);
  • Integração com a comunidade local (responsabilidade social e não isolamento);
  • Incentivo a soluções de compras coletivas, transportes solidários e trocas (de objetos e serviços);
  • Conceito de propriedade e posse coletiva na grande maioria dos casos.

Desses pré postos pode-se perceber facilmente que uma ecovila NÃO É um condomínio fechado com viés eco e muito menos um clube de campo.

Dentro das características comuns, cada comunidade tem suas orientações. Existem as com viés religioso, as preponderantemente rurais, as tecno-racionais, e por ai vai. Cada ecovila tem a sua "cola" (viés ou orientação).

Dependendo da cola da comunidade, alguns moradores vivem (no que se refere à subsistência) exclusivamente da e para a comunidade, outros tem atividades profissionais externas e alguns fazem um mix dessas realidades.

De um modo geral, no que pude constatar, o público tem um ótimo nível cultural e uma boa convivência. É um conjunto eclético de pessoas (professores, arquitetos, aposentados, agricultores, engenheiros, terapeutas alternativos, donas de casa, programadores, etc.) que se uniram com o objetivo de uma vida melhor, mais comunal e ética (tanto no que se refere ao trato humano como ambiental). As nacionalidades também são variadas.

Atualmente o embasamento legal é bastante sólido e já se trabalha em projetos que garantam legislação específica.

No geral, as ecovilas garantem o espaço privativo, portanto, a privacidade e os direitos individuais de escolha neste espaço (religião, sexo, alimentação, etc.). Devemos atentar para o fato que isso deveria ser válido para qualquer comunidade, inclusive a que tradicionalmente conhecemos como bairros e cidades, porém, nestes casos todos propositalmente se "esqueceram" das regras sociais e de ocupação do solo e arquitetura (o código de obras municipal em geral é solenemente ignorado, assim como o "direito" a fazer o que se bem entender dentro de uma residência frequentemente ultrapassar o direito dos vizinhos).

Como as comunidade são pequenas, construidas desde o início com pessoas com pensamento em comum nos pontos críticos, com valores humanos mais decentes e com um estatuto formal democraticamente acordado, a boa convivência é mais fácil.

Na próxima parte vou postar algumas questões sobre o ideal idílico e a realidade humana...









domingo, 13 de abril de 2014

Eco-bobagens parte 3 - O retorno

Já passei pela primeira e segunda parte sem cansar de me divertir.

O Leroy Merlin vende eucalipto tratado em autoclave por R$ 60,00 a peça de 3 metros por 12cm de diâmetro.
Uma viga de garapeira bruta de 5 x 11cm que é mais ou menos o equivalente em resistência custa em torno de R$ 48,00 a mesma metragem.

O processo de autoclave exige energia e produtos químicos, já a garapeira dispensa esse pré-tratamento.

Mais uma vez você acha que comprando o green eucalipto estará 'ajudando o planeta' ou ajudando as corporações e seus gananciosos acionistas?

Além do mais, uma tora de eucalipto sem tratamento deve custar uns R$ 5,00 (preço de varejo). Sinceramente você acha que o tratamento em autoclave justifica uma 'pequena' margem de 1200%*?

Isso ainda é capitalismo???


*nota para desdobrar o raciocínio:

Sinceramente você acredita que a cadeia produtiva justifica isso?

O Leroy compra direto do produtor e a carga triubutária (o único meio que o estado tem de retirar dinheiro desses tubarões) nem de longe chega a 10% dessa insanidade.

No mais, já tendo sido um empresário e abandonado por absoluto desgosto das práticas utilizadas no meio (negociatas de caráter discutível, sonegação, lavagem de dinheiro, trust, exploração do trabalhador e por aí vai - Cisco, Alston e Siemens podem ser colocadas como pequenos exemplos desse mundo), sei muito bem que os preços de venda são feitos de modo "nada acadêmico", no sentido de que os conhecimentos administrativos e econômicos são jogados pela janela quando se coloca o preço que se quer a algo.

Ainda mantendo um pé no desenvolvimento de software principalmente para indústria e comércio, e isso ainda é o que continuo vendo. Um conjunto de ações desprezíveis baseados em uma ideologia do lucro a qualquer custo e as alegações tradicionais do mercado (que é um Deus ao qual temos que obedecer): "não pago pouco ao meu funcionário, é a média de mercado"; "minha margem é alta por causa dos tributos e do mercado";

Sei de industriais (não posso citar nomes apesar do meu perfil quase fake), que apesar de concorrentes entre si combinam vender até n% sem impostos, trocam informações sobre métodos de importação "esquisitos", etc.

Conheço - e não é boataria - casas noturnas enormes com laranjas como donos, cuja função é lavar dinheiro de sonegadores e corruptos.
Você nunca achou estranho algumas lojas em locais nobres que quase nunca alguém compra algo?
Já parou para observar dia após dia esses lugares bizarros que persistem em existir?

Viver à margem disso, ou seja, catando algumas sobras desse sistema até desculpo, mas não consigo ficar simpático a quem defende essa ideologia sem nenhum questionamento. Ou é a mais pura burrice (coisa que supostamente não existe) ou a ganância e a má índole reside nessas 'boas' pessoas.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Lâmpadas, bobagens e alguém que enriquece

Há pouco tempo foi noticiado que as lâmpadas incandescentes teriam sua venda proibida.
Incrível a quantidade de lixo que circula na mídia e na boataria popular.
O primeiro absurdo da coisa é sermos cerceados da escolha, o que por si só deveria impedir esse tipo de arbitrariedade.

O segundo e derradeiro são os argumentos técnicos.
Como toda boa bobagem ecológica ou sustentável, ganha-se no varejo e perde-se de atacado.

As lâmpadas fluorescentes, resumindo, funcionam com excitação de um gás e além de possuirem, entre outras coisas, mercúrio em sua composição, necessitam de um reator eletrônico para funcionar.
As vantagens de sua utilização foram muito bem divulgadas em todas as mídias, mas por razões que não são inocentes, "esqueceram" de mencionar que apenas para ambientes que a utilizam por pelo menos 30 minutos (a FLC sugere 2,7 horas com apenas 1 (UMA) ligação por dia para manter as desejadas vantagens) elas seriam vantajosas.
Além dessa enorme desvantagem, posso citar também que deve-se ficar atento à perda de brilho ao longo de sua utilização e a emissão de UV.

As conhecidas e inocentes lâmpadas incandescentes funcionam pelo aquecimento de um filamento metálico, o que as faz ter um rendimento inferior (muita energia é perdida gerando calor e não luz), mas elas tem muito menos materiais altamente tóxicos, praticamente mantém seu brilho ao logo de toda a sua vida útil e, pricipalmente pra você meu caro ecochato, ela tem uma reciclagem muito mais fácil.

As fluorescentes tem um difícil e caro processo de reciclagem e necessitam de empresas especializadas para o fazerem, o que até onde eu saiba, não existem no Brasil.

O ideal é que você utilize as duas conforme a sua conveniência, não apenas porque somente desta maneira terá economia, mas também porque é seu direito ter escolha.

Espera-se que daqui há poucos anos, as lâmpadas de nanofibras estejam largamente à disposição do consumidor.
Construídas com LED (diodo emissor de luz) orgânico, consumirão pouco, terão fácil reciclagem e vida útil superior em quaisquer condições.

Enquanto isso não acontece (e na minha opinião mesmo que isso aconteça), defenda o seu direito e lute contra essa proibição ridícula que assim como a substituição das tomadas*, visam enriquecer uma meia dúzia de pessoas mais do que se prestam a benefícios comunitários.

E para reforçar que certas bobagens são, claro e redundatemente apenas bobagens, os cientistas do Sandia National Laboratories recentemente elevaram os atuais 5% de rendimento das lâmpadas incandescentes para 60%!!!

Outras empresas, com auxílio de um potente laser, alteram a rede do filamento de tungstênio para que a lâmpada incandescente gaste 40% menos energia! 

Quer mais uma?
O Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, criou um filtro fotônico que aumenta a eficiência das lâmpadas incandescentes em nada menos do que 8 vezes!

Que o público é burro (ou a unanimidade com dizia Nelson Rodrigues) todos sabemos (o que torna esse parágrafo bastante ambíguo), mas que grande parte de nossos jornalistas deveriam estar enterrados a 207 palmos da superfície deveriam.


* Uma observação com relação à substituição das tomadas: as nossas antigas tomadas realmente eram abomináveis tecnicamente, mas o modo como elas foram escolhidas da margem a muita discussão.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A falácia da ecologia...

Se crermos numa Terra com 4,56 bilhões de anos (todas as evidências apontam para isso) é de se supor o quão pífio será o impacto causado pelos seres humanos nesse pequeno grão do universo.

Os plásticos demorarão mais de 100 anos pra se decompor. Bela mer#@; não chega a ser nem uma "espinha" na Terra. O aquecimento global derreterá as geleiras. Bela mer$@; a Terra já enfrentou outros efeitos estufa (como no Cretáceo) e se autorregulou.

Enfim, ecologia serve para salvar o nosso pescoço e nada mais. Como sempre a raça humana preocupada com seu próprio umbigo desenvolve racionalizações sofisticadas pra justificar sua existência e seus atos.

Depois de anos reciclando lixo e me deparando continuamente com a horda de papais que jogam tudo fora, realmente pensei que não havia porque "cuidar" de um planeta para o qual eu não deixarei herdeiros (thank God!). Os que deixarão, em nada estão preocupados com ele, a não ser seus carrinhos polidos, seus vinhos caros e seus presídios, ops, condomínios de luxo.

A principal atividade para proteger o planeta é consumir o mínimo e não procriar. Tem coragem?

Sinceramente, fo%$-#& o mico leão dourado!

A vida acha seu caminho, e com ou sem os seres humanos a natureza, sob a forma que conhecemos ou não, achará a sua maneira de se desenvolver.

Somos pretensiosos ao achar que fazemos "mal" à Terra.

Somos tão patéticos que nem sequer isso conseguimos fazer.

"Um mundo sem ninguém"

Recentemente vi um program muito interessante do History Channel e nele mostrava Chernobyl atualmente.

Nenhuma previsão catastrófica foi concretizada. Não há traços significativos de radiação. A cidade virou uma selva com mata nativa e os animais típicos como cervos proliferaram em abundância (e sem nenhuma aberração genética).

Em outra localidade (não me lembro onde - acho que numa área de testes nucleares franceses) onde foi proibida a pesca, a vida marinha recuperou-se como se nunca houvéssemos passados por lá.

Vinte e poucos anos apenas. Bem menos do que se podia imaginar. Estamos aqui atrapalhando algo...

Alma, Deus, encarnações, Buda, Maomé, extraterrestres, saci-pererê e demais crenças populares que me desculpem, mas devíamos agradecer somente às bactérias e ao Sol por existirmos, e claro, à grande forjaria de matéria do universo que são as estrelas.

Definitivamente, nossa tosca e desprezível existência não faz a menor diferença.

"Não sou um pessimista. Perceber o mal onde ele existe é, na minha opinião, uma forma de otimismo." - Roberto Rosselini