quinta-feira, 6 de maio de 2010

Já dizia Nelson Rodrigues, a unanimidade...

06/05/2010 - 15h29 - UOL
"Chico Xavier" ultrapassa 3 milhões de espectadores desde a estreia.



Resolvi ver a entrevista que o sujeito fez para a Globo há uns anos.
Bom, é tosco.

Se ele tinha boas intenções ou não é outro problema; mas se você prestar atenção sem o viés babaca, irá assistir a um indivíduo completamente out.

O português precário nem é importante, mas as alegações são estapafúrdias e é notório o problema com a sua sexualidade.
Não que ser homossexual seja um problema, mas como pessoas "travadas" lidam com isso, com certeza.

Talvez seja possível sair do armário no Paraíso.

Os rabiscos que ele faz são o máximo. São como as figuras de Rorchard. Você vê o que lhe interessa.

Confesso que é bem sedutor, num momento difícil, ouvir que o ente querido está num local melhor e "olhando" por você.
Enfim, um prato cheio pra qualquer psicanalista. Em outras épocas daria internação no Juqueri.

Aproveitei para assistir a uma entrevista do tal Divaldo Franco, uma espécie de Tim Tones (lembram do Chico Anysio?) com jeito de professor de primário.

Eu queria saber por que a classe média está aderindo em massa à tal "doutrina" (preferem essa palavra, a religião).
De cara, pode-se notar o caráter pseudocientífico do discurso, o que deixa a coisa menos patética e aceitável para pessoas supostamente cultas.
O cara mistura espíritos com Big Bang e buracos negros, re-encarnação com genética e por aí vai, um verdadeiro samba do crioulo doido —sem conotação racial, pois não ficaria bem usar "samba do afro-descendente com raciocínio especial".

A superficialidade de seu conhecimento é ridícula. Fala sobre a "bênção" da atmosfera mas não cita (nem deve saber), por exemplo, que a atmosfera, simplificando, só existe graças à magnetosfera.

Segundo ele, os espíritos também podem vagar pelo Universo, independentemente da distância. Talvez porque Einstein nos tenha deixado essa possibilidade (espaço-tempo "deformável"), mesmo que ínfima e sob zilhões de condições.

A figurinha até pode estar fazendo algumas obras sociais, todavia pode-se fazer o mesmo sem vínculos com "livros sagrados" e demais bobagens. Bastaria que houvesse ética em nossa sociedade.

Há mais de 2 mil anos Aristóteles deve estar esperando um momento oportuno para "re-encarnar"...

Por ser uma religião (ou dogma, como queira) recente, os espíritas se aproveitam muito da ciência. Provavelmente devem ter (ou arrumarão em breve) uma explicação ridícula para a clonagem humana, pois sendo tecnicamente possível, de onde viriam as mil almas para os meus mil clones? (Que Deus —ou Alá, Maomé, Zeus, Buda, Shiva, Itzamná, ou seja lá como você queira chamar— tenha piedade do mundo com mil Coisas!)

No mais, a hipocrisia das massas é a mesma em qualquer outra religião ou dogma.
Pega-se as fantasias que as fazem se sentir bem e ignora-se o que não interessa —nunca conheci ninguém que vivesse como os Franciscanos.

Esses "new-espíritas" classe média são os mais obcecados por trabalho, status e posses que qualquer indivíduo "materialista".

Não tolero nenhuma dessas banalidades religiosas, pois caso tolerasse alguma teria que aceitar todas, afinal, se os espíritos ascendem para um plano superior (olha que coisa bizarra! pode significar o que você quiser!) por que então alguém não poderia explodir o World Trade Center para ganhar as mil virgens do paraíso?