quarta-feira, 10 de março de 2010

Agora sou um "deles"

Quarentão, ou "em vias de", resolvi não deixar pra depois um sonho de juventude: andar de moto.
Não, não precisa grandes coisas. Qualquer motinho usada serve. Busco uma sensação, e não um símbolo.
Uns amigos que fazem trilha me disseram que até por mil reais se descolava uma "magrela pra rolar num barro".

É muito bom!
Sabe aquela idiotice da "sensação de liberdade"?
Sim, ela existe.

Mas o curioso é no trânsito.
Agora sou um "deles", os motoqueiros.
Sempre estive do lado dos motoristas de carro; um grupo fechado, competitivo e individualista. Parece que estão protegidos naquele mundinho móvel. Isolados, potentes e assépticos.
   
Por coincidência, sempre odiei carros. Por tudo. Principalmente pelo que eles representam em nossa sociedade.
A civilização dos combustíveis fósseis, como diria Fritjof Capra, ou então uma projeção mal resolvida da figura feminina, como diria Carl Jung.
   
Todos os motoqueiros são razoavelmente iguais, sejam eles profissionais das duas rodas, motoqueiros de fim de semana ou simplesmente pessoas que optaram por esse tipo de transporte.
Quando um sofre um acidente qualquer outro para, esteja de Harley Davidson ou CG'zinha, como dizem os motoboys.
Na maioria um olha pelo outro, o básico da conduta ética.

Estar mais vulnerável fisicamente talvez nos lembre que, de fato, não somos nada sozinhos.

É perigoso, concordo, mas o que não é?
As pessoas doam 30 anos da vida (fora a preparação do antes e os cuidados com a saúde que se perdeu depois) pra ganhar uns numerozinhos num outro número que está guardado num local que não existe pra adquirir coisas que não precisam e me dizem que andar de moto é perigoso?!
Não entendeu? Compreensível... uma quantidade de dinheiro (que nunca é o suficiente), depositada numa conta, em um banco, que é trocada por quinquilharias que aliviam sua infelicidade.
   
Sim, posso morrer ou ficar aleijado.
Mas esses zumbis que vivem nessa sociedade já estão mortos. Faz tempo.

"Morte não existe. A vida é um sanduíche de morte. Morte antes, morte depois." - Sandro Baraldi