quarta-feira, 21 de abril de 2010

Depois dos ecochatos os tecnochatos

Quem tem menos de 20 anos pode não acreditar, mas vivíamos muito bem sem e-mail e celular.

Para não ser taxado de velho antiquado, uma breve introdução (com whiskinho e beijo no cangote) sobre o Coisa.
Tive meu primeiro e-mail na época das BBS (a pré-história da internet), mas confesso que não servia pra grande coisa já que quase ninguém tinha.
Na época tínhamos que construir o próprio computador se quiséssemos um, diga-se de passagem, bem mais divertido.
Importante: construir um não era encaixar as placas; era componente a componente, pino a pino, ajuste a ajuste, solda a solda, e muito, muito assembler.

Só por curiosidade, quem lidava com "isso" (que eu me lembre não existia o termo informática) eram mais hippies do que nerds, que por sinal não existiam.

Mas ok, hoje qualquer macaco bem treinado usa um computador, baixa e instala softwares. Então não creia que aquele filho, primo ou sobrinho é tão genial assim, já que um símio manco e caolho faz igual.

Bem, tudo isso pra falar sobre as "cyber-neuroses".

Deve ser ridículo o que se passa na cabeça de um "tecnomala" quando não respondemos aquele e-mail importantíssimo na hora, ou então a "infoesquizofrenia" de achar que foi excluído do MSN de alguém por que o cidadão não o acha on-line há uns poucos dias.

Aliás, 99% das coisas que se recebe via e-mail é absolutamente desprezível, incluindo as que vem de nossos amigos.
Cometo algumas "gigagrosserias" ao solicitar a eles que não me repassem PPS´S sobre "a vida é linda", "só o amor salva", correntes pra salvar a criancinha perneta, não votar no guerrilheiro comedor de criancinhas e textos mal feitos de escritores famosos que nunca escreveram aquilo.

O MSN, então, é como as malditas comunidades.
Sempre tem um pentelho pra te interromper e falar "e aí?", "tudo bem?", "passei pra te dar um beijo" e demais imbecilidades que em nada mostram como o dito-cujo gosta de você, pois se gostasse passaria na sua casa. Aliás, se tivesse algo útil pra falar não seria pelo messenger.

O celular é o big brother onipresente na vida das pessoas.
Não bastasse a falta de privacidade a que essas criaturas insuportáveis se submetem num orkut da vida (privacidade pra quê, se o que tem a mostrar é uma vida chata e fotinhos da última visita à Disney?) ainda perderam o direito de NÃO serem achadas.

Na academia, as figuras levam celular!!
Um dos únicos locais que restam para você se dedicar exclusivamente a "self-si-próprio"!
E pra falar o quê? Da balada? De não esquecer de comprar shampoo? Do mino que disse pra mina que o mano vazou da área? Do negócio que você nunca vai fechar numa academia? Do enfarte que você não resolverá em uma academia? Pra responder aquele torpedo com algum comentário inútil?

Tenham dó, não há backup que recupere o bom senso.
Não há release que aumente o QI.
Não há HD que guarde tanta idiotice e lugar comum.
Não há multiprocessamento que as salvem da mediocridade.

E, por favor, me deixem em paz se não quero ser achado.