quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Brincadeira de gente grande

Meu último post passou pelos amigos "mortos" e por alto pelo casamento. De fato, independente de papel.

Em pleno século XXI acho interessante observar como as coisas retrocederam nos últimos anos no quesito sexualidade e machismo.
Não vou desatar a falar sobre Freud, Lacan ou Reich, mas vale lembrar que eles estão implícitos, quer vocês gostem ou não.

Na minha adolescência ouvi milhares de vezes a história: "mulher fácil é galinha". Bom, depois dos anos 60 fomos cada vez mais nos tornando mais caretas, apesar da banalização da nudez e das cenas de sexo. O sexo agora é de caráter mercantil, algo plástico. Não se desenvolveu a sexualidade em si, apesar dela estar em qualquer lugar.
Mas vamos deixar essa parte pra depois.

Creio que por ter sido criado por mulheres (avó, mãe e duas irmãs), desenvolvi certa admiração por estes seres esquisitos. Claro que algumas vezes tenho vontade de esganar minha esposa... rs e, no mais, como confiar num animal que sangra 5 dias e não morre?

Mas também sempre me surpreendeu o fato de que elas não tem noção do poder que tem.

Primeiro vamos deixar claro que homem é um bicho bundão.

Seu mundo gira em torno de como pode demonstrar sua força e da preocupação com o seu frágil "brinquedo que desmonta fácil".

Nenhum homem "ganha" uma mulher, apenas lhe é permitido por ela que ele o faça.

Não existe cantada ruim, mas sim, um cara que não interessa. Basicamente a diferença entre o Fábio Assunção dizer "você vem sempre aqui?" e o Bozó falar o mesmo.

Quem escolhe é sempre a mulher e ponto final.

O lado bom é que não somos responsáveis pelo prazer feminino se elas nem sequer sabem por onde começar e não conhecem o próprio corpo.

A crítica está na atribuição de criadora e educadora da mulher.

Elas educam o cafajeste pra ele ser aquilo que elas odeiam. Bizarro não?

Sempre achei que a paquera deveria ser algo como: "Haveria possibilidade de sexo?".

Se depois nos interessássemos mutuamente (se o sexo foi bom), trocaríamos telefone e iríamos para as banalidades.

Não adianta, o contato entre homem e mulher gera tensão sexual. Sempre!

Ops, falei que não iria entrar em discursos freudianos.

Sexo é brincadeira de adulto. Substitui o esconde-esconde, casinha, carrinho e futebol.

Meninas, se de fato vocês se preocupam se o sujeito vai ligar ou não no dia seguinte e se vai "pensar mal" de vocês, me poupem. É um erro grosseiro de lógica.

Se o cara "pensar mal" de você e não ligar mais, apenas significa que você se livrou de um babaca machista (ou você trepa mal pacas).

O machismo é uma espécie de comorbidade da covardia masculina.

O machinho medroso tem pavor de mulher que gosta de sexo. Sim, por mais paradoxal que pareça esse é o fato.

Uma mulher sexualmente ativa e bem resolvida põe em evidência o seu desempenho tão alardeado e ameaça o seu "brinquedo que desmonta fácil".

E afirmo, por experiência própria, que o bom romance —já que as meninas gostam dessa palavra, pode e talvez só apareça quando começamos pela via normal, que não é a que se vende nas revistas Capricho ou na qual vocês foram massacradas desde o nascimento.

Comigo?!
Ok.
Conheci a minha mulher na noite, e nos primeiros passos de dança (que dança? eu sou um saco de batatas!) ficamos mutuamente atraídos.

Nada de amor à primeira vista e babaquices que NÃO EXISTEM. Apenas tesão mesmo.
Queríamos nos comer e nada mais.
Depois dos amassos, telefone e tal.
Fim de semana seguinte fomos pra farra. Me armei de todas as estratégias do bom amante e tal.

Bobagem, ela me empurrou na cama e arrancou minhas calças! E olha que tenho quase 2 metros e 105 kg! (atenção ao senso comum novamente: não sou gordo, mas bodybuilder amador, hein?!)

Seis meses depois casamos. Juntamos os trapos como dizem.
Passaram-se 10 anos já.
E lembre-se do que eu já postei: "Ninguém faz amor, mas sim faz sexo. Amor se sente." - Flávio Gikovate.

Quem "faz amor" ou é burro, ou não sabe fazer sexo.