sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Indo... pra onde?

Talvez meu último bom sonho tenha se desmilinguido...


Para mim sonhos não tem absolutamente nada a ver com posses, aquisições, acúmulos e todas as “vitórias” e “virtudes” modernas das quais o senso comum atual alardeia.


Meu último sonho, ou o que se parece ser o último, foi uma comunidade intencional.


No fim, para simplificar, seria a aquela coisa básica e supostamente lógica de um grupo de pessoas que se gostam (ou que se toleram como queira) que juntam forças para viver melhor, em alguma harmonia (dentro do que se pode esperar de boa convivência coletiva... vide Freud e a origem das neuroses...) e seguindo uma trilha oposta ao que o status quo determina.


Ao ingressar no meio virtual para essa busca dos desgarrados, eu sabia que havia um risco enorme de que a representação estatística não se alteraria em nenhuma mídia.


Dito e feito.

Assim como a TV (aberta ou fechada) representa uma maioria, as mídias sociais virtuais também.

Se por um lado a minha racionalidade me dizia o inevitável, por outro, a da esperança (admito que, parafraseando Nelson Rodrigues, a esperança é a última ferramenta dos medíocres) me dizia que em algum lugar eu encontraria os desgarrados que como eu gostariam de se juntar.


Apesar de uma pequena amostragem positiva, o “medo” do novo, da mudança e da possibilidade de se “abrir mão” (coisas cuidadosamente implantadas pela educação da sociedade atual) minam qualquer resistência. Os grupos se desfaçelam como um gás na atmosfera...


Não tenho mágoas com ninguém especificamente, talvez comigo mesmo por ter tido uma vã esperança de que haveria alguma opção.


Não tenho necessidade material (acho fácil obter “sucesso” no mundo atual), mas acho imensamente triste e desalentador ter como muleta “esse mundo” e “essa solução”.


Muitos amigos já perdi para “esse mundo”.

Apesar do discurso deles, eles também se perderam e se dissolveram nessa sociedade supostamente meritocrática, de recompensas que te escravizam e de uma vida doentiamente faraônica. Os pobres coitados se esqueceram de estudar a moral e a história...


Então, o que resta para mim?

Viver como um zumbi acumulando todas as “doenças da civilização” ou continuar minha caminhada pelo que suponho ser o justo e a alternativa (importante ter em mente que não busco o “certo”, mas sim a alternativa de algo que com certeza está errado)?


Minha experiência com a mudança, o inesperado e o abrir mão foi positiva até agora. Não tenho porque abandoná-la.

Mas não nego minha tristeza e frustração de que não tenha companhia para uma tentativa (ainda que pífia) de um mundo mais justo, igualitário e melhor.


Como qualquer diário, esse meu registro solitário me ancorará – ainda que num terreno arenoso como qualquer ‘verdade’ – em algo que eu venha a pensar no futuro.


Possivelmente esse texto não fará o menor sentido para ninguém a não ser eu mesmo... os diários tem essa característica... qualquer um que não ligue para “audiência”, “seguidores”, “likes” e todo esse mundo pavoroso talvez pense em algo... talvez...