domingo, 15 de novembro de 2015

Missão Rosetta. Curiosidades.

Dia 12 de novembro do ano passado o módulo pousador da sonda da Rosetta, da Agência Espacial Européia, Philae, pousou na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

O público geral não tem noção da grandeza deste feito e a imprensa como sempre prefere notícias sensacionalistas, superficiais e sobre "pseudo mistérios" e crendices.
Como dizia Carl Sagan, a divulgação da falsa ciência ou ciência ruim parece ser pior do que divulgação alguma.

O pouso não foi exatamente como o desejado devido a falhas num gancho de ancoragem do módulo, e após uns quiques, o mesmo parou num local com baixa incidência solar, consequentemente sua vida útil ficou comprometida por causa da baixa condição de carga das baterias, mas apesar disso, contrariamente o que foi divulgado, a missão foi (e está sendo) bem sucedida.

Muita informação ainda está sendo analisada e importantes achados foram feitos.

Para ficar mais fácil de visualizar este grande feito, veja o vídeo da própria ESA e depois vamos a alguns números (valores médios aproximados).



  • Terra: velocidade orbital média de 107.000Km/h - Periélio: 147 milhões de Km - Afélio: 152 milhões de Km 
  • Marte: velocidade orbital média de 24.000Km/h (maior aproximação da Terra há 60 mil anos de 55 milhões de Km – última oposição em 2012 de 100 milhões de Km) 
  • Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko:  tamanho médio de 3Km e velocidade orbital média de 135.000Km/h - Periélio: 186 milhões de Km - Afélio: 850 milhões de Km 
  • Asteriode Steins: de 4,6Km e velocidade orbital média de 31.000Km/h - Periélio: 302 milhões de Km - Afélio: 405 milhões de Km  
  • Asteróide Lutetia: de 96Km e velocidade orbital média de 68.000Km/h - Periélio: 305 milhões de Km - Afélio: 425 milhões de Km

Sinteticamente pra não enrolar: afélio é a maior distância do Sol e periélio é a menor distância. Asteroides são corpos celestes rochosos/ferrosos que orbitam o Sol. Cometas são corpos celestes de gases, gelo e detritos rochosos que orbitam o Sol às vezes uma única vez.

Dadas as grandezas envolvidas fica evidente a impressionante precisão dos estudos e das "previsões".

Algumas vezes perguntam sobre alguns "mistérios" desse ou daquele corpo celeste, e quando ouvem alguma coisa bastante sem graça costumam indagar a respeito de como se pode ter certeza se "não estiveram lá", ou seja, questionam (o que é saudável e justo) a análise espectral, telescópios de raios X, raios gama, ultravioleta, etc.

De fato, certezas absolutas não existem, porém, a plausibilidade de algumas "previsões" costumam ser feitas com boa dose de aproximação.
Vale lembrar que até nosso satélite, a Lua, era repleta de "mistérios" e se revelou uma rocha bastante sem graça conforme o "previsto" pelos cientistas céticos.
Enquanto poetas e filósofos tem bastante espaço para extrapolações, o ceticismo científico limita bastante a imaginação. Cada um no seu espaço. Todas as linguagens são bem vindas, ainda que algumas puramente especulativas e/ou de caráter lúdico - o que não deixa de ser importante para a alma humana.

Marte é outro caso de inúmeras especulações, e pra quem acompanha, por exemplo, a carreira da Carl Sagan ou qualquer outro astrônomo sério nunca se surpreendeu pelo fato de terem confirmado outra rocha sem graça.

Claro que "sem graça" se refere ao senso comum, ou seja, as pessoas que fantasiavam a cerca de coisas "estranhas" a serem encontradas nesses locais. Para a ciência eles foram e são boas fontes de estudos.



Sequência de fotos do asteroide Stein feitos pela Rosetta.
 Nenhum homenzinho verde, forças ou substancias sobrenaturais.

Foto do asteroide Lutetia.
Nada muito estranho e misterioso também.

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
Neste ainda por cima a Philae pousou e já enviou algumas análises.
É chato mas nenhuma "gosma-energética-devoradora-de-metais" foi achada.

 Foto da superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko tirada
pelo módulo Philae já "estacionado" no dito cujo.

Não há nada de mau em ser um ser sem graça, de existência ínfima e limitada, que habita um planeta de quinta categoria, que orbita uma estrela medíocre na periferia de uma galáxia como outras bilhões.
A vida continua a ser interessante e única, porém, ao que tudo indica, não existe nenhuma 'preferência' do universo pela vida, aliás, muito pelo contrário.

Não precisamos de Deus(es), santos, espíritos ou qualquer coisa "misteriosa" para vivermos bem e plenamente, o universo como ele é (segundo a interpretação humana bem entendido) e não como gostaríamos que fosse é suficientemente interessante para nos dar as sensações de arrebatamento que muitos buscam no misticismo e nas crendices implausíveis.