quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

"Amigo"

Um velho amigo me escreveu depois de muito tempo me convidando para seu casamento.
Muito tempo sem se comunicar, sem visitas, e obviamente sem nenhuma vontade de sustentar uma amizade. A de verdade e não as do facebook da vida.

Comunica que sua mãe faleceu, pede endereço (que já passei há tempos e claro, colocado no "cesto arquivo") para mandar convite de (mais um) casamento e fim.

Essas pessoas fazem essas coisas por algum desejo mórbido de saber como você está, não no sentido da preocupação e bem querer, mas uma simples curiosidade mórbida de quem quer se comparar.
Criaturas bizarras que são sempre miseráveis se não se comparam a outras.
Mas de fato, gente que se resume a trabalho e a acumulação só faz isso pros outros.

Vamos chutar para documentar aqui: o primeiro casamento juntou os trapos e fim. No segundo pega uma mocinha mais nova daquelas cujo sonho era casar vestida de bombom sonho de valsa e provavelmente vai querer procriar. Possivelmente conheceu pela internet, o lar dessa gente fake que cria perfil "real" nas redes (anti)sociais.

Não vou.
Admito que cogitei em ir. Uma espécie de motivo "histórico".
Bem ou mal ele faz parte da minha história e de alguma maneira portanto faz parte da minha construção.

Possivelmente encontrarei gente que não vejo há séculos e que vai me falar do trabalho, do carro novo, das crianças, etc. Tudo o que absolutamente não me interessa.
É como aquelas reuniões da turma de escola de trezentos anos atrás. Um festival de gente que você não sabe quem é, pois aqueles de sua memória são outros indivíduos.

São como aqueles filmes classe B que um alienígena se apodera do corpo das pessoas e agora, todos "possuídos", fazem a mesma coisa, vestem-se da mesma maneira, etc.
De repente você se pergunta que merda está fazendo lá...

Claro que pra eles eu também sou uma espécie bizarra, mas como eu sempre digo, citando Krishnamurti, "não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente".