domingo, 3 de janeiro de 2016

Viajar é...

Enfim acabei cedendo à amolação da conjugue e acabei viajando no fim de ano.


Para definir sinteticamente o que é viajar vamos avaliar algumas questões lógicas e categorizar algumas coisas.

Supondo que seu lar não seja apenas um dormitório, ou seja, aqueles locais onde as pessoas que trabalham o dia inteiro passam a noite para no dia seguinte voltar a trabalhar e no fim de semana tentar se recompor para voltar a trabalhar na semana seguinte, supõe-se que o lar seja um lugar onde estão todas as coisas que você gosta, preza e de fato você curte cotidianamente. É aquela área do felino que eles urinam em cada canto pra demarcar seu espaço.

Independente de sua condição sócio-econômica, o lar (como eu disse no início, se não for o “cubículo-dormitório”) é aquele canto mágico onde estão todos os seus símbolos pessoais de aconchego e segurança. Ancestralmente, nenhum lugar pode ser melhor que este.

Então por que diabos me atormentam para sair dele???

Desculpas bizarras sobre conhecer outros locais, pessoas e culturas é uma balela. A maioria (creio que todas) das pessoas “viajadas” que conheço são as mais ignorantes, e pior, arrogantes da “turma”.

Em geral são os bossais que tiram foto “segurando” a Torre de Pisa (e demais poses e selfies a la facebook) e compram quinquilharias (que tem na 25 de março) de lembrança para amigos e parentes.

“Cultura”?! Só de passagem sem fazer outras consultas e forçar a memória, Kant nunca saiu de seu vilarejo e mesmo assim se tornou um dos grandes filósofos da modernidade.

Ninguém adquiri cultura fora se não tiver cultura antes de sair.
Paradoxalmente depois de construir (um caminho infinito) certa bagagem cultural percebe-se que “não é preciso ir a Lua para conhece-la razoavelmente bem”.

Enfim, depois do trânsito (ainda que pouco, admito, já que fui há um local rural isolado), sorrisos hipócritas a desconhecidos e papo de elevador com companheiros de cela, ops, de pousada, pude sintetizar minha definição de viagem:

Viajar é deixar tudo o que você gosta para trás e ainda por cima pagar por isso.